quarta-feira, 25 de março de 2026

 QUANDO A IGREJA SOFRE E O DIABO DÁ GARGALHADAS!

Pr. Raul Marques


"Conheço as tuas obras, que nem és frio nem quente. Quem dera fosses frio ou quente! Assim, porque és morno e nem és quente nem frio, estou a ponto de vomitar-te da minha boca; pois dizes: Estou rico e abastado e não preciso de coisa alguma, e nem sabes que tu és infeliz, sim, miserável, pobre, cego e nu" 
Ap. 3.15-17


Infelizmente não podemos fugir desta realidade e precisamos aprender a conviver com ela de maneira que sejamos sábios, sensatos e equilibrados, como foi exemplarmente o nosso amado Salvador Jesus Cristo! Há, sem a menor sombra de dúvida, no seio da igreja do Senhor, agentes legítimos do Diabo, travestidos de ovelhas obedientes, que causam danos quase irreversíveis ao Reino de Deus! São, na verdade, aquilo que o Mestre denominou de "joio no meio do trigo"! 

Por que, então, temos de conviver com eles? Simplesmente porque precisamos preservar o trigo! São tão parecidos que corremos o risco de arrancar um supondo ser o outro... Na verdade, o Senhor Jesus nos ensina a exercer a misericórdia e a compaixão, a despeito ou apesar dos inúmeros motivos que possamos ter para rechaçar os oponentes, verdadeiros ímpios e iníquos que são lançados dentro da verdadeira igreja!

Em muitos momentos percebemos nitidamente que o Diabo ri enquanto a igreja sofre e chora! Dentre as muitas situações, podemos citar algumas:

1. A MALEDISCÊNCIA - Vulgarmente reconhecida como "fofoca", esta manifestação atinge diretamente pessoas e à propria organização, pois macula, inibe, entristece, afasta e até expulsa do convívio aqueles ou aquelas que se sentiam tão atraídas pela mensagem do Evangelho e, de repente, se vêm lançadas fora por críticas maldosas, infundadas, desprovidas de propósitos, enfim, arrefecem a fé e frustram almas sedentas! A Bíblia é enfática neste quesito: "Mas, agora, abandonem todas estas coisas: ira, indignação, maldade, maledicência e linguagem indecente no falar" - Colossenses 3.8; "Livrem-se de toda amargura, indignação e ira, gritaria e calúnia, bem como de toda maldade" Efésios 4.31; "Há palavras que ferem como espada, mas a língua dos sábios traz a cura" Provérbios 12.18.

2. A MENTIRA E A DISCÓRDIA - O pai da mentira é o Diabo! O causador de discórdias entre irmãos é ele também! Olha só o que afirma este texto: "Há seis coisas que o Senhor odeia, sete coisas que ele detesta: olhos altivos, língua mentirosa, mãos que derramam sangue inocente, coração que traça planos perversos, pés que se apressam para fazer o mal, a testemunha falsa que espalha mentiras e aquele que provoca discórdia entre irmãos" Provérbios 6.6.19. 

3. FRIEZA ESPIRITUAL - A igreja de Éfeso é repreendida por abandonar seu primeiro amor, mostrando que obras sem paixão não bastam. Apocalipse 2.1-7. Jesus repreende a mornidão de Laodiceia, preferindo que fossem frios ou quentes, não indiferentes. Apocalipse 3.15-16. O aumento da iniquidade fará o amor de muitos esfriar; a perseverança é a chave. Mateus 24.12-13. O conselho bíblico para evitar a frieza: "Nunca falte a vocês o zelo, sejam fervorosos no espírito, sirvam ao Senhor" Romanos 12.11. Os cuidados deste mundo e a sedução das riquezas sufocam a palavra, gerando inatividade espiritual. Mateus 13.22.

O sofrimento de muitos é tanto que chega a paralisar o crescimento da igreja, desmontar as lideranças, desmantelar o convívio saudável e entristecer o coração de Deus! É exatamente por estas causas que a igreja sofre enquanto o Diabo dá gargalhadas! Que o Senhor tenha misericórdia de todos nós! Que o Espírito Santo faça a verdadeira e necessária seleção entre joio e trigo e, por fim, nos permita vivenciar um genuíno avivamento espiritual em Sua igreja!

sexta-feira, 29 de agosto de 2025

sábado, 13 de janeiro de 2024

 A NOSSA LIBERDADE CUSTOU


SANGUE...

Pr. Raul Marques

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Jesus Cristo deu-nos os maiores exemplos de comportamento, postura e ética sociais e espirituais! O maior desejo dEle: “Amar a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a si mesmo” não exclui, em absoluto, o cuidado esmerado com as nossas más companhias... “Não vos enganeis! As más companhias corrompem os bons costumes” I Cor. 15.33, ensinou-nos o apóstolo Paulo.

Os novos tempos são muito mais complexos, embora sejamos os mesmos desde o Éden após a queda pelo pecado... Nem todos os que caminham com você estão de acordo com você... Nem todos os que lhe abraçam o fazem com o coração! Tudo é muito semelhante àquilo que nos advertiu Jesus: …Portanto, pelos seus frutos os conhecereis. Nem todo aquele que diz a mim: ‘Senhor, Senhor!’ entrará no Reino dos céus, mas somente o que faz a vontade de meu Pai, que está nos céus. Muitos dirão a mim naquele dia: ‘Senhor, Senhor! Não temos nós profetizado em teu nome? Em teu nome não expulsamos demônios? E, em teu nome, não realizamos muitos milagres?’ Mat. 7.20-22. Pois bem, está mais do que evidente que nem todos os que fazem um brinde com você na festa estarão ao seu lado na hora do infortúnio! Nem todo o que bate com tapinhas nas suas costas está disposto a sofrer consigo a sua dor... Nem sempre aqueles que rasgaram elogios sobre você em público o fizeram espontaneamente...

Chega de parecer o bobo da corte! Até mesmo Jesus Cristo precisou agir com mais firmeza ao expulsar enganadores que estavam ao redor de Si, para limpeza da Casa do Pai. É provável que tenhamos um coração de cordeiro, porém, jamais com sangue de barata!

A nossa liberdade foi comprada pelo sangue de Jesus Cristo! Ela é muitíssimo preciosa! Não podemos deixar que os outros ditem as regras da nossa conduta, isto é uma atividade exclusiva do Espírito Santo! Somos servos, somos santos, somos crentes, mas jamais capachos de ninguém! Devemos usar bem a nossa liberdade em favor de tudo o que é bom, perfeito e agradável, pois, isto é sinônimo da vontade de Deus! Jesus Cristo lavou os pés dos discípulos sem perder a condição e autoridade de dizer-lhes através da censura à Pedro: “Para trás de mim, Satanás! Tu és uma pedra de tropeço, uma cilada para mim, pois tua atitude não reflete a Deus, mas, sim, os homens” Mat. 16.23.

Não permita que ninguém lhe use como escravo porque vê em você a condição de servo! Não deixe que abusem da solicitude de sua família quando bem poucos zelam por ela ou sabem das dores porque ela passa simplesmente por ser sua família! Lembre-se sempre: você já foi solto das garras do Diabo e comprado pelo sangue do Cordeiro! E mais: “Foi para a liberdade que Cristo nos libertou. Portanto, permaneçam firmes e não se deixem submeter novamente a um jugo de escravidão” Gál. 5:1.

segunda-feira, 25 de setembro de 2023

              Correndo atrás do vento...

Pr. Raul Marques


“Tudo é vaidade e correr atrás do vento” (Ec. 2.17)


P
ara Salomão, “correr atrás do vento”, significa tentar   desesperadamente abraçar, sem jamais conseguir, a coisa buscada. Ele retrata a caça, exclusivamente humana, das conquistas sem a dependência do Criador. Ele vai, finalmente, se dar conta deste drama abissal no seu filosófico e amargurado fim de discurso... Este é, de fato, um filme triste, porém verdadeiro e desafiador, da insensatez e da insensibilidade humanas, encarado por um rei, sábio, rico e destemido, que não vê saída para a sua finitude e bate de cara contra o muro de sua própria existência.
Ao longo da vida ele busca presentear-se e regalar-se de todas as formas possíveis, sempre prestando contas apenas a si mesmo como se nada jamais tivesse fim. Ele se exalta, se estima, e se percebe autossuficiente, capaz de se encastelar e afrontar a dor e a amargura da existência, mas, não vai muito longe... Ele entende, ao fim de cada reflexão, que tudo vale a pena circunstancialmente. Ele percebe a efemeridade de sua vida antes do passo seguinte. O rei percebe, afinal, que o seu reinado não era bem aquilo que supunha; que o seu poder não era ilimitado; que os seus recursos não lhe bastariam sempre; que a sua saúde e virilidade não eram tão constantes; que os seus súditos não seriam fieis indeterminadamente; que a sua família não seria tão politicamente perfeita e nem socialmente tão aconselhável! O pensador se dá conta de que existe vida para além das palavras; que a beleza é relativa; que o vigor tem limite e é marcado pelo tempo; que as festas e regalos são paradoxais; que nunca ninguém estará sempre com a razão; que nada é de todo imprestável e que tudo, absolutamente “tudo é vaidade e correr atrás do vento”.
Que grande tolice é pensar que nos bastamos a nós mesmos! Quão ingênuos somos nós quando pensamos ser aquilo que, talvez, nunca venhamos a ser! Quão rotativa é a cadeira do carrossel da vida, na qual nos sentamos com a enganosa sensação de que, jamais, ocorrerão enguiços... 
O mesmo rei, que pensara ter conquistado tanto, conclui que ele em nada difere daquele que nada possui; o fim de ambos é o mesmo... Ele trabalhou, desafiou, contendeu, construiu, ajuntou riquezas, ganhou fama, contudo, não pode conter a frustração de que, no máximo, deixaria tudo para quem lhe sucedesse, à quem a vida lhe poria em condições absolutamente iguais: finitude, dependência e suscetibilidade.
Nada hoje é diferente! Tudo continua igual desde sempre! Por que ajuntamos tanto? Por que consumimos tanto? Por que lutamos tanto para parecer diferentes dos outros bilhões de iguais? Qual o motivo pelo qual poucos têm tanto e muitos nada têm? Qual a necessidade de se possuir diversas moradias se muitos sequer conseguem um banco de praça para repousar em paz? Por que, afinal, famílias se regozijam em possuir a mais rica lápide dos cemitérios? Qual a diferença entre o câncer no fígado do bilionário e do mais pobre dos homens da terra? Que diferença haverá entre o caviar e o feijão com gorgulho, se ambos apodrecerão ao final do ciclo? Qual a diferença entre o analfabeto e aquele que encheu o mundo de livros com suas ideias e pensamentos, se ambos, inexoravelmente, perecerão no esquecimento?                                   Finalmente, com um misto de tristeza e relaxamento, o pensador conclui: “Agora que já se ouviu tudo, aqui está a conclusão: Tema a Deus e guarde os seus mandamentos, pois isso é o essencial para o homem. Pois Deus trará a julgamento tudo o que foi feito, inclusive tudo o que está escondido, seja bom, seja mal” Eclesiastes 12:13,14. Pensemos nisto! Vamos parar de correr, ajuntar e tentar merecer o bem que eventualmente possamos receber na terra dos viventes, a despeito de todos os outros que vão ficando à margem do caminho por onde passamos, pois, afinal, “tudo é vaidade e correr atrás do vento!”. 

sexta-feira, 14 de julho de 2023

A BABEL HORIZONTAL

Pr. Raul Marques


“Qualquer pessoa que ande pelas ruas das grandes cidades brasileiras há de ficar impressionada com a quantidade de igrejas evangélicas. São templos, pontos de pregação, salas e até portinhas, onde o nome de Jesus é exaltado e o povo de Deus reúne-se para exercer a sua fé. Símbolo da expansão do segmento evangélico na sociedade brasileira, a proliferação de igrejas, se por um lado possibilita a disseminação da Palavra de Deus, por outro, gera situações curiosas. Há ruas com vários templos e até mesmo congregações que funcionam coladas parede a parede. Agora, engraçado mesmo – com todo respeito, claro! – é conferir o nome de algumas igrejas. Existe, por exemplo, uma certa Assembleia de Deus Com Doutrinas e Sem Costumes, no subúrbio do Rio de Janeiro. No interior de Minas, funciona a Igreja Evangélica "A Última Trombeta Soará". Isso sem falar na Igreja Cuspe de Cristo, em São Paulo”. Este é parte de um artigo que li no Ceuboy News, há alguns anos. Esse fenômeno evangélico se revela por muitos motivos, mas, dois deles em especial se manifestam mais evidentes: o modismo evangélico – especialmente a música, que tem chegado, inclusive, aos altares Católicos – e a fragilidade emocional e espiritual do povo brasileiro. Lembro-me que há trinta anos a moda era a presença dos vendilhões de ilusão nas emissoras de rádio através dos “professores” e das “madames”, quando se ouviam em todos os lugares o chavão: “Minha cara consulente...”. Não há mais essa gente nas rádios. Foram todos substituídos pelos novos “pastores”, “bispos” e até “apóstolos” da era moderna. Alguns até acompanham esses novos gurus no status de “profetas”.

O que temos visto ocorrer com tudo isso? As evidências mais tristes do crescimento de uma interminável e incontrolável Babel Horizontal. Não há o menor entendimento entre eles. Há, sim, ao contrário disso, um exagerado despreparo teológico, uma latente falta de ética cristã, um desastroso testemunho pessoal, uma confusão doutrinária sem precedentes e, por conseguinte, um acelerado processo de confusão mental por parte daqueles que são lesados na sua fé, apesar da sinceridade da busca. Por estas razões não é difícil encontrar por aí pessoas completamente frustradas e desiludidas com a fé. Nunca foi tão necessário colocar em prática o ensino bíblico, que alerta: “Amados, não creiais em todo espírito, mas provai se os espíritos são de Deus" (1Jo 4.1). Leiam a Bíblia na companhia de alguém que, com sinceridade de coração e temor de Deus, possa lhe ajudar. Que Deus tenha misericórdia de todos nós!