terça-feira, 11 de maio de 2021

 DE TODO O CORAÇÃO!

Pr. Raul Marques

Buscar-me-eis, e me achareis, quando me buscardes de todo o vosso coração. Serei achado de vós, diz o Senhor…” Jeremias 29.13-14

Esta semana eu vivi algumas das experiências mais incríveis da minha vida! Não que elas não houvessem ocorrido em outros tempos ou ocasiões, mas, sobretudo, porque a natureza dessas experiências transcende às nossas expectativas mais positivas. São situações limítrofes entre a necessidade e o desespero por soluções às mais turbulentas e terríveis que se possa encontrar. Como afirma o pregador em Eclesiastes 3, “há tempo para todo propósito debaixo do céu”, e naquela Quarta-feira Deus havia planejado o meu encontro com uma família em vias de separação. Confesso que o meu coração ardia quando me dirigi ao lar daquela família, pois havia um misto de fraqueza e força... Fraqueza, porque eu tenho consciência das minhas enormes limitações; força, porque sentia que quem me impelia era o Espírito de Deus. E lá fui eu, depois de um dia exaustivo de trabalho, buscando atender a mais um chamado do Senhor.

Ao penetrar no seio daquela família senti o peso do clima, da atmosfera aziaga, dos sinais evidentes do caos e da desordem dos sentimentos. Sentei-me, após os cumprimentos iniciais, e me ofereci para ouvir, tentar compreender e, pela ação do Senhor, sugerir ações que pudessem nos levar à reconstrução dos escombros.

Ouvi desabafos e acusações de pessoas profundamente feridas, machucadas pelas ações e pelas omissões; e vi lágrimas que disseram muito mais que palavras... Percebi o quanto abandonamos a Deus nas horas de maior desespero, porque esquecemos facilmente do seu amor incondicional e do seu perdão terapêutico.

Depois de ouvir a todos, sugeri que orássemos ao Senhor, e lembrei-lhes daquilo que Deus havia mostrado ao profeta Ezequiel – o vale de ossos secos (Ez 37) -, e orei invocando o poder que há no nome de Jesus, afirmando-lhes que, se cressem, toda aquela situação poderia ser mudada. Depois de tomar um café, sentindo ainda aquela mesma atmosfera indesejada, despedi-me de todos deixando-lhes a certeza de que o Senhor agiria com sua imensa Graça ainda naquela noite. E fui embora.

No dia seguinte, após ter chegado de mais um dia de trabalho, e prestes a sair para a Universidade, fui surpreendido com a visita do pai acompanhado do seu filho, para uma conversa sobre o dia anterior. Mais uma vez me coloquei na condição de ouvinte, mas agora ouvia o poder e a força do amor de um Deus verdadeiro, que não despreza os seus filhos; que não se regozija com a infelicidade; que não conhece causas perdidas; e que não desiste de prover as nossas necessidades. Ouvi com atenção aquele homem falar sobre a sua culpa, o seu pecado e a sua desordem emocional; lhe ouvi falar que Deus lhe havia tocado fundo ao coração e despertado nele o desejo de perdoar e se desculpar com todos na sua casa; que havia decidido naquela mesma noite por jamais voltar a tocar em bebidas outra vez; que estava disposto a tratar a sua vida e, sobretudo, a resgatar a felicidade de sua família. Ouvi relatos do seu filho, emocionado, confessando que também voltaria ao convívio fraterno na Igreja, ao ver a possibilidade de união familiar com Cristo.

Neste momento eu desabei em lágrimas. Senti a forte emoção do dever cumprido, e imediatamente me lembrei do profeta Jeremias: Buscar-me-eis, e me achareis, quando me buscardes de todo o vosso coraçãoSerei achado de vós, diz o Senhor…”. A Deus toda honra, glória e louvor. Amém!

 

sábado, 17 de abril de 2021

 ENTRE O PRAZER E O SACRIFÍCIO...

Pr. Raul Marques

 

                  A vida que Jesus Cristo viveu será sempre o nosso mais completo manual e fonte inesgotável de sabedoria, onde podemos encontrar respostas para as nossas angústias, anseios, prazeres e sacrifícios que valham a pena continuar neste mundo, ainda que, como “peregrinos e forasteiros”, conforme reconheceu o apóstolo Pedro.

                 Certa vez Jesus afirmou diante dos seus discípulos: “A minha comida é fazer a vontade daquele que me enviou, e realizar a sua obra” João 4.34. Alimentar-se é, além de uma necessidade, um prazer humano dos mais cultivados. É óbvio que o Mestre tinha fome e os seus discípulos estavam certos disso, porém, Jesus lhes fala sobre uma fome que não pode ser saciada com coisas perecíveis. Ele fala de um prazer muito particular: fazer a vontade de Deus e realizar a Sua obra. Este fato se sobrepunha a quaisquer outros que viesse a vivenciar. Não obstante, mesmo aquilo que nos dá prazer em realizar cansa e fatiga. Não é o cansaço de perder o apetite, mas a tenebrosa sensação de compreender a linha tênue entre o fim do prazer e o princípio do sacrifício. 

Tudo o que Jesus realizou estava recheado do prazer do cumprimento, entretanto, dentre tantos momentos singulares entre o prazer e o sacrifício, nenhum foi tão altamente tenso e questionador quanto aquele em que Ele desabafou a Sua inquietação perante Deus: “Jesus saiu, então, e foi, como de costume, para o monte das Oliveiras. E os discípulos seguiram também com Ele. Quando chegou ao local, disse-lhes: "Orai para que não entreis em tentação". Depois afastou-Se bruscamente deles até à distância de um tiro de pedra, aproximadamente, e, posto de joelhos, começou a orar dizendo: "Pai, se quiseres, afasta de Mim este cálice, não se faça, contudo, a minha vontade, mas a tua". Então vindo do Céu, apareceu-Lhe um anjo que O confortava. Cheio de angústia, pôs-se a orar mais instantemente o suor tornou-se-Lhe como grossas gotas de sangue, que caíam na terra. Depois de ter orado, levantou-Se e foi ter com os discípulos encontrando-os a dormir devido à tristeza. Disse-lhes: "Porque dormis? “Levantai-vos e orai, para que não entreis em tentação” Lucas 22.39-46. Neste momento agudo da vida de Jesus “o vinho” não tinha o componente do prazer, posto que se revelara ali a face mais cruel do sofrimento sacrificial. O “vinho” tinha gosto de fel! A “obra” tinha o peso da humanidade inteira mergulhada no mais profundo tremedal de lama, no pecado.

Felizmente nós também temos os mesmos sentimentos do Mestre... Quantas vezes nos sentimos no limiar do prazer e do sacrifício? Querendo continuar fazendo a Sua vontade, comendo a Sua comida, nos vemos diante do amargor do vinho que é sempre servido nos cálices da amargura, da tristeza, do torpor e da indiferença? Ainda assim, com toda esta ambiguidade própria da nossa humanidade frágil, continuamos a sentir como o nosso Mestre, como Ele fez com os seus discípulos: “Antes da festa da páscoa, sabendo Jesus que era chegada a sua hora de passar deste mundo para o Pai,havendo amado os seus que estavam no mundo, amou-os até o fim” João 13:1.

 

quinta-feira, 1 de abril de 2021

 


             Pr. Raul Marques


Eu vivi a vida me alimentando da música, da poesia, e das artes em geral. Os meus amigos na adolescência e juventude tinham a mesma avidez pelas expressões artísticas e, por isto mesmo, até hoje não me canso de aprender a cada dia com as mais diversas manifestações culturais: repente, cordel, folclore, música erudita ou popular, pintura, escultura, cinema, teatro, enfim, tudo o que faça emergir novas ideias, novos talentos, e seja capaz de conspirar para novas criações. Muitas vezes imaginamos que quanto mais difícil for a interpretação de uma obra, tanto mais rica e mais elaborada terá sido a sua mensagem. Certamente que não é bem assim. Nem sempre o mais sofisticado é o melhor; nem sempre o mais requintado tem o melhor conteúdo. Como as artes, assim são também as pessoas; muitas vezes as mais simples e com menos aparência, são as mais ricas e profundas ao transmitirem as suas mensagens. Apesar de saber que dá muito trabalho interpretar pessoas, não posso negar que sou profundamente fascinado pelo universo da compreensão dos sentimentos humanos.

Lembrei-me agora de uma canção de Roberto Carlos, que de tão singela e tão ingênua, estampa-nos uma mensagem ao mesmo tempo tão rica e adulta que é capaz de nos remeter a uma reflexão indispensável: “Mas, agora eu sei o que aconteceu: quem sabe menos das coisas, sabe muito mais que eu!”. Temos a falsa impressão de que o nosso academicismo nos eleva a patamares tão altos que nos esquecemos de pensar as coisas mais simples, as pessoas mais humildes, de frequentar os lugares mais toscos, de ler os livros menos lidos, ouvir as canções menos recomendadas, etc. Quando, no entanto, passamos a conviver com as coisas e as pessoas do mundo mais real, temos a grata surpresa de entender que somos aprendizes agora como sempre fomos. Nenhum saber é por si mesmo tão importante que não sejamos capazes de reconhecer que precisamos aprender sempre mais. Aprender, não para sobrepujar, mas, para compartilhar. Aprender para compreender que todos têm algo a ensinar e muito a aprender.

Agora eu sei porque Jesus Cristo, com tanta sabedoria, tanto poder, tanta eloquência e tanta visibilidade, vivia fascinado pelas multidões de pessoas mais simples, carentes, porém, mais verdadeiras. Agora eu sei a profundidade da riqueza dos seus ensinos articulados através do Sermão do Monte. Obrigado, Senhor, por me fazer entender tudo isto, pois, “agora eu sei: quem sabe menos das coisas, sabe muito mais que eu”.

segunda-feira, 8 de março de 2021

 SEM MEIAS PALAVRAS...

Pr, Raul Marques


  

Todas as pessoas da época de Jesus Cristo ficavam maravilhadas com as palavras de sabedoria que saltavam de sua boca, sobretudo, quando se ajuntavam às multidões para ouvi-lo sobre temas tão cotidianos, mas tão negligenciados e carentes de explicações verdadeiras. Ele era muito explícito e sem meias palavras. Nunca usava subterfúgios ou tintas enganosas para colorir os quadros existenciais ou sobrenaturais que pintava com maestria e autoridade.

Certa vez Ele deu o tom mais esclarecedor e mais real que alguém jamais ouvira, sobre um tema que muitas vezes, sobretudo hoje, no tempo da relativização, é crido como folclore ou, quando muito, alegoria lacônica: “Virá o senhor daquele servo num dia em que o não espera, e à hora em que ele não sabe, e separá-lo-á, e destinará a sua parte com os hipócritas; ali haverá pranto e ranger de dentes” Mateus 24.50-51.

O inferno, para a grande maioria hoje, não passa de uma criação hilária e assombrosa para amedrontar os incautos ou para fidelizar adeptos das religiões, sobretudo, no cristianismo. Esta ideologia espera desacreditar a Jesus Cristo e fazer ruir os alicerces da verdadeira fé no Único Deus Todo Poderoso.

No julgamento, Jesus dirá para os incrédulos: “Apartai-vos de mim, malditos, para o fogo eteno preparado para o diabo e seus anjos” (Mateus 25:41). “Este verso mostra que o inferno não foi originalmente criado para os seres humanos, mas para Satanás e seus demônios. Por causa da rejeição da humanidade de Deus, aqueles que recusam vir a Cristo participarão do destino do diabo. Apocalipse 20:10 elabora ainda mais sobre o destino do diabo: “O Diabo, que os enganava, foi lançado no lago de fogo e enxofre, onde estão a besta e o falso profeta; e de dia e de noite serão atormentados pelos séculos dos séculos”. Visto que os incrédulos compartilharão o destino do diabo, e o diabo sofrerá o tormento no inferno para sempre, os incrédulos também sofrerão o tormento eterno. Também observe que Jesus disse que o fogo é eterno, o que não poderia ser dito se o inferno fosse somente temporário”.

Sem meias palavras, o inferno é tão real que, para muitos, o fogo já foi ateado e suas formas, cores e temperaturas podem estar variando conforme a vida que levam como legiões de escarnecedores do Pai Eterno, Todo Amor, Todo Santo e Todo Juízo. Que o Senhor tenha misericórdia de todos nós!   

 

quinta-feira, 11 de fevereiro de 2021

 O PODER INEXPLICÁVEL DA FÉ!



Pr. Raul Marques



Todos os dias encontramos pessoas cheias de problemas. Umas, lutando com todas as suas forças; outras, porém, já entregando os pontos; ou, como diriam os amantes do futebol: “pendurando as chuteiras”. A toda hora é possível ver alguém com cara de vencido; com aspecto de quem acabou de ver fantasmas. Esse é o drama do homem. Ou, como diria Belchior: “a divina comédia humana, onde nada é eterno”. Menos ruim é saber que esse mal pode não ser eterno; é uma questão de ponto de vista, ou melhor, é uma questão de visão eminentemente espiritual.

Que todos sofrem, é certo, senão Jesus não teria explicitado ao afirmar: “No mundo tereis aflições, mas tende bom ânimo, eu venci o mundo!” (João 16.33). Não obstante todo esse dilema humano, toda essa paranoia de sofrimento, tribulação, transgressão, pecado e morte como consequência, temos uma porta aberta para saída de qualquer dessas situações limítrofes: a fé! Quero levá-lo a pensar comigo numa das maiores esperanças que o Senhor Jesus veio trazer ao drama do homem. Certa vez, em meio a uma situação dramática e de comoção, Ele afirmou: “Aquele que crê em mim, ainda que esteja morto, viverá!”. Não pode haver maior esperança do que essa! A morte é a cessação das oportunidades; mas, para o homem, não para Deus. Com base nessa afirmação de Jesus quero levá-lo a perceber pelos olhos da fé as soluções para as suas agruras e inquietações. Quero fazê-lo entender que nem tudo está perdido; que “para aquele que está na companhia dos vivos há esperança” (Eclesiastes 9.4), e que se houver verdadeiramente fé genuína o milagre ocorrerá, pois o próprio Jesus empenhou a sua palavra afirmando: “Pedi, e dar-se-vos-á; buscai, e encontrareis; batei, e abrir-se-vos-á. Porque, todo aquele que pede, recebe; e, o que busca, encontra; e, ao que bate se abre” (Mateus 7.7-8).

Ora, se Jesus afirma que aquele que nele crê ainda que esteja morto viverá, então, por mais perto que alguém esteja do fracasso ou do fundo do poço, não deve entregar os pontos... Deve, isto sim, clamar ao Deus do impossível, do mesmo modo como fervorosamente fez o cego Bartimeu: “Jesus, Filho de Davi, tem misericórdia de mim!”, e assim, agindo unicamente movido pela fé inabalável, receba de Deus o socorro bem presente na hora da angústia. Muita gente está vencendo a incredulidade abraçando o Evangelho de Jesus Cristo, pois, vive na certeza de que “ainda que esteja morto, viverá!”. Os resultados da fé às vezes não podem ser explicados, mas, todos eles podem ser sentidos. Que Deus tenha misericórdia de todos nós!