sexta-feira, 3 de julho de 2026

 CANSADOS E SOBRECARREGADOS...

Pr. Raul Marques


Sempre existiram em nós, seres humano, as características que passaremos a discorrer, porém, à medida em que os tempos passam elas tendem ao aprofundamento e, pior, a se tornarem mais evidentes e recorrentes, de acordo com os novos modos de vida que levamos. Sintomas, como por exemplo: nervosismo; irritabilidade; dores de cabeça; falta de memóriadores musculares; desânimo e falta de energia, e dificuldades de concentração, se acentuam drasticamente a partir dos nossos modos de vida social e espiritual atuais.

Jesus Cristo disse certa vez: "os sãos não precisam de médico!", e Ele quis apenas particularizar os fatos, porque sabemos que em algum grau todos somos doentes e precisamos dos profissionais da saúde para o nosso cuidado. Mas, será com base numa fala profundamente séria e curativa do Mestre, que trataremos destas sintomatologias, à luz das experiências científicas e, claro, espirituais! 

Quando Jesus afirmou: "Venham a mim todos vocês que estiverem cansados e sobrecarregados" Ele não estava brincando com os sentimentos das pessoas, muito menos sobrepujando as nossas carências em detrimento da Sua divindade e poder sobrenaturais. Ele estava, sim, falando muito seriamente das nossas carências e necessidades derivadas da nossa forma de vida incompatível com aquela que o Criador planejou para os seres humanos.

Fomos planejados e projetados para a vida comunitária e participativa, no entanto, sempre buscanmos o individualismo e, quanto possível, o isolamento, no ledo engano de que nos bastamos a nós mesmos! Fomos criados para a alegria e dotados de sentimentos nobres, não obstante, nos desviamos quase sempre para a tristeza e suas derivações mais inquietantes. 

A sociedade moderna, em que pese ser composta por velhas criaturas, só coopera para o aprofundamento dos sofrimentos da alma, para os sofrimentos individuais e, claro, para o caos coletivo. Nunca tivemos na história humana tanto avanço tecnóligo e, ao mesmo tempo - vejam que irmonia e tragédia! - tanta solidão e desvalorização do humano! Somos hoje, por exemplo, em nosso país, a geração de idosos mais desprestigiada de todos os tempos! Um contingente que jamais foi estimulado à adaptação aos novos tempos, ao contrário, foi ficando relegado a planos inferiores de tal modo que hoje, em plena era digital, raros são os que manejam razoavelmente bem as tecnologias. Uma parte considerável da nação, envelhecida e escomoteada, ainda que sustente economicamente o todo, está à margem da maior parte das atividades e decisões. 

Os Bancos, por exemplo, estão desconsiderando tristemente os que lhes impulsionaram por longos anos até a chegada desta desenfreada correria pela competitividade cruel e excludente, sem que percebessem que cavavam a própria cova! Este contigente de idosos, cansado e fatigado, orpimido e humilhado, ainda vale "qualquer coisa" pelo que juntou a duras penas nos seus 35 a 40 anos de serviços, e hoje sustenta suas famílias, ainda que por elas esteja abandonado!

Todas as atividades de hoje requerem um mínimo de conhecimento tecnológico para acessar, por exemplo, plano de saúde, banco, comércio, telefonia, supermercados, enfim... Os idosos, por força impositiva das circunstâncias desumanas, terceirizam todos os acessos e são, via de regra, enganados, roubados, iludidos e desrespeitados sem o menor pudor!

"Cansados e sobrecarregados", ainda assim, sobrevivem à falta de autonomia, liberdade e respeito! Não fosse a fé, a experiência de vida adquirida, os valores aprendidos em outros tempos e contextos, estaríamos no mais profundo caos social da história humana, embora nos pareça que caminhamos para isto a passos muito largos!

Ainda bem que, aos que ainda têm fé, restam a esperança e a segurança nas palavras de Jesus, quando disse: "Venham a mim e eu lhes aliviarei!". Tem misericórdia de todos nós, SENHOR!




quarta-feira, 25 de março de 2026

 QUANDO A IGREJA SOFRE E O DIABO DÁ GARGALHADAS!

Pr. Raul Marques


"Conheço as tuas obras, que nem és frio nem quente. Quem dera fosses frio ou quente! Assim, porque és morno e nem és quente nem frio, estou a ponto de vomitar-te da minha boca; pois dizes: Estou rico e abastado e não preciso de coisa alguma, e nem sabes que tu és infeliz, sim, miserável, pobre, cego e nu" 
Ap. 3.15-17


Infelizmente não podemos fugir desta realidade e precisamos aprender a conviver com ela de maneira que sejamos sábios, sensatos e equilibrados, como foi exemplarmente o nosso amado Salvador Jesus Cristo! Há, sem a menor sombra de dúvida, no seio da igreja do Senhor, agentes legítimos do Diabo, travestidos de ovelhas obedientes, que causam danos quase irreversíveis ao Reino de Deus! São, na verdade, aquilo que o Mestre denominou de "joio no meio do trigo"! 

Por que, então, temos de conviver com eles? Simplesmente porque precisamos preservar o trigo! São tão parecidos que corremos o risco de arrancar um supondo ser o outro... Na verdade, o Senhor Jesus nos ensina a exercer a misericórdia e a compaixão, a despeito ou apesar dos inúmeros motivos que possamos ter para rechaçar os oponentes, verdadeiros ímpios e iníquos que são lançados dentro da verdadeira igreja!

Em muitos momentos percebemos nitidamente que o Diabo ri enquanto a igreja sofre e chora! Dentre as muitas situações, podemos citar algumas:

1. A MALEDISCÊNCIA - Vulgarmente reconhecida como "fofoca", esta manifestação atinge diretamente pessoas e à propria organização, pois macula, inibe, entristece, afasta e até expulsa do convívio aqueles ou aquelas que se sentiam tão atraídas pela mensagem do Evangelho e, de repente, se vêm lançadas fora por críticas maldosas, infundadas, desprovidas de propósitos, enfim, arrefecem a fé e frustram almas sedentas! A Bíblia é enfática neste quesito: "Mas, agora, abandonem todas estas coisas: ira, indignação, maldade, maledicência e linguagem indecente no falar" - Colossenses 3.8; "Livrem-se de toda amargura, indignação e ira, gritaria e calúnia, bem como de toda maldade" Efésios 4.31; "Há palavras que ferem como espada, mas a língua dos sábios traz a cura" Provérbios 12.18.

2. A MENTIRA E A DISCÓRDIA - O pai da mentira é o Diabo! O causador de discórdias entre irmãos é ele também! Olha só o que afirma este texto: "Há seis coisas que o Senhor odeia, sete coisas que ele detesta: olhos altivos, língua mentirosa, mãos que derramam sangue inocente, coração que traça planos perversos, pés que se apressam para fazer o mal, a testemunha falsa que espalha mentiras e aquele que provoca discórdia entre irmãos" Provérbios 6.6.19. 

3. FRIEZA ESPIRITUAL - A igreja de Éfeso é repreendida por abandonar seu primeiro amor, mostrando que obras sem paixão não bastam. Apocalipse 2.1-7. Jesus repreende a mornidão de Laodiceia, preferindo que fossem frios ou quentes, não indiferentes. Apocalipse 3.15-16. O aumento da iniquidade fará o amor de muitos esfriar; a perseverança é a chave. Mateus 24.12-13. O conselho bíblico para evitar a frieza: "Nunca falte a vocês o zelo, sejam fervorosos no espírito, sirvam ao Senhor" Romanos 12.11. Os cuidados deste mundo e a sedução das riquezas sufocam a palavra, gerando inatividade espiritual. Mateus 13.22.

O sofrimento de muitos é tanto que chega a paralisar o crescimento da igreja, desmontar as lideranças, desmantelar o convívio saudável e entristecer o coração de Deus! É exatamente por estas causas que a igreja sofre enquanto o Diabo dá gargalhadas! Que o Senhor tenha misericórdia de todos nós! Que o Espírito Santo faça a verdadeira e necessária seleção entre joio e trigo e, por fim, nos permita vivenciar um genuíno avivamento espiritual em Sua igreja!

sexta-feira, 29 de agosto de 2025

sábado, 13 de janeiro de 2024

 A NOSSA LIBERDADE CUSTOU


SANGUE...

Pr. Raul Marques

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Jesus Cristo deu-nos os maiores exemplos de comportamento, postura e ética sociais e espirituais! O maior desejo dEle: “Amar a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a si mesmo” não exclui, em absoluto, o cuidado esmerado com as nossas más companhias... “Não vos enganeis! As más companhias corrompem os bons costumes” I Cor. 15.33, ensinou-nos o apóstolo Paulo.

Os novos tempos são muito mais complexos, embora sejamos os mesmos desde o Éden após a queda pelo pecado... Nem todos os que caminham com você estão de acordo com você... Nem todos os que lhe abraçam o fazem com o coração! Tudo é muito semelhante àquilo que nos advertiu Jesus: …Portanto, pelos seus frutos os conhecereis. Nem todo aquele que diz a mim: ‘Senhor, Senhor!’ entrará no Reino dos céus, mas somente o que faz a vontade de meu Pai, que está nos céus. Muitos dirão a mim naquele dia: ‘Senhor, Senhor! Não temos nós profetizado em teu nome? Em teu nome não expulsamos demônios? E, em teu nome, não realizamos muitos milagres?’ Mat. 7.20-22. Pois bem, está mais do que evidente que nem todos os que fazem um brinde com você na festa estarão ao seu lado na hora do infortúnio! Nem todo o que bate com tapinhas nas suas costas está disposto a sofrer consigo a sua dor... Nem sempre aqueles que rasgaram elogios sobre você em público o fizeram espontaneamente...

Chega de parecer o bobo da corte! Até mesmo Jesus Cristo precisou agir com mais firmeza ao expulsar enganadores que estavam ao redor de Si, para limpeza da Casa do Pai. É provável que tenhamos um coração de cordeiro, porém, jamais com sangue de barata!

A nossa liberdade foi comprada pelo sangue de Jesus Cristo! Ela é muitíssimo preciosa! Não podemos deixar que os outros ditem as regras da nossa conduta, isto é uma atividade exclusiva do Espírito Santo! Somos servos, somos santos, somos crentes, mas jamais capachos de ninguém! Devemos usar bem a nossa liberdade em favor de tudo o que é bom, perfeito e agradável, pois, isto é sinônimo da vontade de Deus! Jesus Cristo lavou os pés dos discípulos sem perder a condição e autoridade de dizer-lhes através da censura à Pedro: “Para trás de mim, Satanás! Tu és uma pedra de tropeço, uma cilada para mim, pois tua atitude não reflete a Deus, mas, sim, os homens” Mat. 16.23.

Não permita que ninguém lhe use como escravo porque vê em você a condição de servo! Não deixe que abusem da solicitude de sua família quando bem poucos zelam por ela ou sabem das dores porque ela passa simplesmente por ser sua família! Lembre-se sempre: você já foi solto das garras do Diabo e comprado pelo sangue do Cordeiro! E mais: “Foi para a liberdade que Cristo nos libertou. Portanto, permaneçam firmes e não se deixem submeter novamente a um jugo de escravidão” Gál. 5:1.

segunda-feira, 25 de setembro de 2023

              Correndo atrás do vento...

Pr. Raul Marques


“Tudo é vaidade e correr atrás do vento” (Ec. 2.17)


P
ara Salomão, “correr atrás do vento”, significa tentar   desesperadamente abraçar, sem jamais conseguir, a coisa buscada. Ele retrata a caça, exclusivamente humana, das conquistas sem a dependência do Criador. Ele vai, finalmente, se dar conta deste drama abissal no seu filosófico e amargurado fim de discurso... Este é, de fato, um filme triste, porém verdadeiro e desafiador, da insensatez e da insensibilidade humanas, encarado por um rei, sábio, rico e destemido, que não vê saída para a sua finitude e bate de cara contra o muro de sua própria existência.
Ao longo da vida ele busca presentear-se e regalar-se de todas as formas possíveis, sempre prestando contas apenas a si mesmo como se nada jamais tivesse fim. Ele se exalta, se estima, e se percebe autossuficiente, capaz de se encastelar e afrontar a dor e a amargura da existência, mas, não vai muito longe... Ele entende, ao fim de cada reflexão, que tudo vale a pena circunstancialmente. Ele percebe a efemeridade de sua vida antes do passo seguinte. O rei percebe, afinal, que o seu reinado não era bem aquilo que supunha; que o seu poder não era ilimitado; que os seus recursos não lhe bastariam sempre; que a sua saúde e virilidade não eram tão constantes; que os seus súditos não seriam fieis indeterminadamente; que a sua família não seria tão politicamente perfeita e nem socialmente tão aconselhável! O pensador se dá conta de que existe vida para além das palavras; que a beleza é relativa; que o vigor tem limite e é marcado pelo tempo; que as festas e regalos são paradoxais; que nunca ninguém estará sempre com a razão; que nada é de todo imprestável e que tudo, absolutamente “tudo é vaidade e correr atrás do vento”.
Que grande tolice é pensar que nos bastamos a nós mesmos! Quão ingênuos somos nós quando pensamos ser aquilo que, talvez, nunca venhamos a ser! Quão rotativa é a cadeira do carrossel da vida, na qual nos sentamos com a enganosa sensação de que, jamais, ocorrerão enguiços... 
O mesmo rei, que pensara ter conquistado tanto, conclui que ele em nada difere daquele que nada possui; o fim de ambos é o mesmo... Ele trabalhou, desafiou, contendeu, construiu, ajuntou riquezas, ganhou fama, contudo, não pode conter a frustração de que, no máximo, deixaria tudo para quem lhe sucedesse, à quem a vida lhe poria em condições absolutamente iguais: finitude, dependência e suscetibilidade.
Nada hoje é diferente! Tudo continua igual desde sempre! Por que ajuntamos tanto? Por que consumimos tanto? Por que lutamos tanto para parecer diferentes dos outros bilhões de iguais? Qual o motivo pelo qual poucos têm tanto e muitos nada têm? Qual a necessidade de se possuir diversas moradias se muitos sequer conseguem um banco de praça para repousar em paz? Por que, afinal, famílias se regozijam em possuir a mais rica lápide dos cemitérios? Qual a diferença entre o câncer no fígado do bilionário e do mais pobre dos homens da terra? Que diferença haverá entre o caviar e o feijão com gorgulho, se ambos apodrecerão ao final do ciclo? Qual a diferença entre o analfabeto e aquele que encheu o mundo de livros com suas ideias e pensamentos, se ambos, inexoravelmente, perecerão no esquecimento?                                   Finalmente, com um misto de tristeza e relaxamento, o pensador conclui: “Agora que já se ouviu tudo, aqui está a conclusão: Tema a Deus e guarde os seus mandamentos, pois isso é o essencial para o homem. Pois Deus trará a julgamento tudo o que foi feito, inclusive tudo o que está escondido, seja bom, seja mal” Eclesiastes 12:13,14. Pensemos nisto! Vamos parar de correr, ajuntar e tentar merecer o bem que eventualmente possamos receber na terra dos viventes, a despeito de todos os outros que vão ficando à margem do caminho por onde passamos, pois, afinal, “tudo é vaidade e correr atrás do vento!”.