sábado, 5 de fevereiro de 2011

O QUE CRISTO REALMENTE PREGOU?

Pr. Raul Marques

Jesus Cristo viveu tão livre das amarras religiosas e das convenções sociais quanto pregou. É por esta razão que está estampado na Palavra de Deus: se, pois, o Filho vos libertar, verdadeiramente sereis livres” (João 8.36). A obediência de Jesus ao Pai era tão extremada que Ele nada fazia sem antes consultá-lo em oração. Aliás, o Pai já tinha absoluta ciência disso, pois, ao apresentar-se no momento do batismo de Jesus Ele assim se expressou: “Tu és o meu Filho amado, em quem tenho prazer” (Mc 1.11). A liberdade que Jesus pregou, Ele viveu. Por causa desta liberdade Ele até repreendeu duramente aqueles que se tornaram seus maiores opositores: os fariseus e os doutores da Lei: “Um dos doutores da lei lhe disse: Mestre, falando assim também a nós outros nos afrontas. Ele respondeu: Ai também de vós, doutores da lei, que carregais os homens com pesos que não podem levar, mas vós mesmos nem sequer com um dedo vosso tocais os fardos”. Impor regras e ordens aos outros é fácil, difícil mesmo é começar por si!

Certa vez entrou na Igreja um casal para participar do culto de oração e estudo da Palavra de Deus. Eu não conhecia nem o homem e nem a mulher, e recebi a cada um como aos demais. Ao término do culto alguém me chamou e comentou: “Pastor, eu não acredito que o Senhor vai receber aqui este casal!”. Aquela não foi a censura de um crente, mas de um religioso. Foi um comentário infeliz, preconceituoso e desprovido de qualquer amor ou piedade. Fiquei tão triste ao ouvir aquilo que logo lhe coloquei diante de um impasse: “Há entre nós alguém menos pecador que eles?”.

Foi o suficiente para que a pessoa interrompesse o inquérito e saísse. Certamente aquela pessoa não tinha idéia do que significa GRAÇA; não havia deixado entrar em seu coração o ensino libertário de Jesus, que diz: “Não são as pessoas sadias que precisam de médico, mas as doentes. Eu não vim para chamar justos, mas sim pecadores” Mc 2.13-17.

Ainda hoje sofremos por estas mesmas causas. Muitos não conseguem se firmar no Evangelho em decorrência de um pretenso puritanismo ou de uma pseudo-santidade que, com toda certeza, não estão respaldados em Jesus. Ele nunca desejou execrar ninguém; Ele nunca intentou descartar ninguém; Ele nunca humilhou ninguém. Embora Jesus sempre saiba o que vai fundo em nossos corações, e conheça perfeitamente as causas das nossas atitudes e comportamentos, mesmo assim Ele nos ama e anseia por nossa salvação. A liberdade que Ele viveu e pregou nos atrai para uma mudança muito mais profunda, menos estética e muito mais ética. Foi isto que Ele pregou; foi isto que Paulo entendeu e por isto afirmou: “Para a liberdade foi que Cristo nos libertou. Permanecei, pois firmes e não vos submetais de novo a jugo de escravidão” (Gálatas 5.1). Que Deus tenha misericórdia de todos nós.

O TEATRO DA ALMA

Pr. Raul Marques

“E tudo o quanto fizerdes, por palavra ou por obra, fazei-o em nome do Senhor Jesus, dando por Ele graças a Deus Pai” Colossenses 3.17


A tarefa mais difícil na vida cristã não é ir à Igreja costumeiramente, mas estar na Igreja conscientemente. Por que será que o apóstolo Paulo chamou a igreja de Corpo de Cristo? Ora, se Cristo é santo e a igreja é o seu corpo, e nós somos o Corpo de Cristo, é fácil deduzir que devemos ser santos. Devemos estar separados de tudo o que é próprio dos pagãos, dos incrédulos, dos escarnecedores, dos ímpios, etc. No entanto, o reconhecimento dos que estão separados não é nada simples; é uma das tarefas mais complicadas. Tanto é que o Senhor Jesus ilustrou através de uma parábola o seguinte ensino: Mateus 13.24 Jesus propôs-lhes outra parábola: O Reino dos céus é semelhante a um homem que tinha semeado boa semente em seu campo. 25. Na hora, porém, em que os homens repousavam, veio o seu inimigo, semeou joio no meio do trigo e partiu. 26. O trigo cresceu e deu fruto, mas apareceu também o joio. 27. Os servidores do pai de família vieram e disseram-lhe: - Senhor, não semeaste bom trigo em teu campo? Donde vem, pois, o joio? 28. Disse-lhes ele: - Foi um inimigo que fez isto! Replicaram-lhe: - Queres que vamos e o arranquemos? 29. - Não, disse ele; arrancando o joio, arriscais a tirar também o trigo. 30. Deixai-os crescer juntos até a colheita. No tempo da colheita, direi aos ceifadores: arrancai primeiro o joio e atai-o em feixes para o queimar. Recolhei depois o trigo no meu celeiro. São semelhantes, nunca iguais! É exatamente por este fato que vemos tantas vezes a fé teatralizada. Isto tem a ver com a vocação da alma humana. Ela tem sede de fantasia. Ela foi degenerada pelo pecado e tem uma inclinação tenebrosa para o parecer ser... É por esta razão que às vezes ficamos perplexos e sobressaltados com certas atitudes que não dizem respeito à verdadeira conduta cristã. É por isso que temos tanta dificuldade para compreender certas ações de pessoas que apenas aparentam ser aquilo que, na verdade, não são. É o teatro da alma. Ela se traveste. Ela se transforma de acordo com o papel que intente representar. São as muitas facetas do engano. São a presença constante das máscaras sociais e espirituais. Existem pessoas cujas almas são feias e sujas, e não lhes adianta a cor com que se pintaram; mais cedo ou mais tarde a maquiagem estará borrada; quem sabe, as lágrimas mancharão a tintura do rosto e revelarão as deformidades originais. Esses são o joio. No entanto, felizmente há também o verdadeiro trigo, em cuja semente não há mistura, não há artificialismos, mas originalidade. E quando se encerram os atos e o teatro chega ao fim, resta tão somente a verdade. É neste exato instante que ocorrerá aquilo que o próprio Jesus ensinou: Deixai-os crescer juntos até a colheita. No tempo da colheita, direi aos ceifadores: arrancai primeiro o joio e atai-o em feixes para o queimar. Recolhei depois o trigo no meu celeiro. Que Deus tenha misericórdia de todos nós!

terça-feira, 11 de janeiro de 2011

PRODUZINDO ESPERANÇA


Pr. Raul Marques

Dentre as inúmeras inspirações do apóstolo Paulo sobre as tribulações da vida, uma em particular tem um significado mais que especial: Romanos 5.1-5. Esta é uma das passagens bíblicas mais espetaculares. Ela sintetiza tudo o que se possa pretender escrever dentro da psicologia dos homens. Ela expressa a força que vem da fé. Ela dá visibilidade ao invisível. Ela prova o improvável. Ela vem de Deus.

Todos nós enfrentamos muitas adversidades, tribulações e tormentas em nossas vidas. Algumas são tão vorazes que chegamos a pensar em desistir de tudo, entregar os pontos ou, quem sabe, na linguagem popular: pendurar as chuteiras dando o jogo por vencido. É na tribulação que muitos sucumbem. É na efervescência da dor que muitos estacionam. É na ebulição do sofrimento que tantos definham e se amiúdam até saírem de cena... É na contumácia das perdas que muitos esmorecem e se entregam ao torpor dos remédios, dos vícios, das depressões, e até do suicídio. O vazio existencial consome as forças humanas. A solidão e a amargura minam as nossas energias e fragmentam os nossos sonhos até fazê-los insignificantes. A desesperança nasce na dor.

Ensina-nos a Palavra de Deus que “Tudo acontece igualmente a todos: a mesma sorte para o justo e para o ímpio, para o bom e puro e para o impuro, para o que oferece sacrifícios e para o que não oferece” Ec 9.2. Deste modo entendemos que o sofrimento é próprio dos homens, que estamos todos na mesma condição de igualdade na dor. Todos, indistintamente, sofremos os revezes da vida; as decepções, as frustrações e os descompassos da nossa existência. Mas, em meio a tudo isso, eis que surge a grande e absoluta diferença entre os que crêem e os que não crêem: o milagre da perseverança até a vitória. Profundamente deslumbrado com o poder da fé em Jesus Cristo, Paulo afirmou não ter vergonha de crer e de atender ao Evangelho porque, segundo ele, “é o poder de Deus para a salvação de todo o que crê” Rm 1.16.

O que nos impulsiona a viver o momento seguinte é a nossa esperança de que ele, enfim, será melhor. O que nos dirige para o futuro é a fé. O que nos assegura que a vitória virá é a confiança concreta de que “Deus existe e que é galardoador daqueles que o buscam” Hb 11.6. Por todas essas razões o apóstolo Paulo recebeu do Espírito Santo de Deus e nos repassou as seguintes palavras: “Tendo sido, pois, justificados pela fé, temos paz com Deus, por nosso Senhor Jesus Cristo; pelo qual também temos entrada pela fé a esta graça, na qual estamos firmes, e nos gloriamos na esperança da glória de Deus. E não somente isto, mas também nos gloriamos nas tribulações; sabendo que a tribulação produz a paciência, e a paciência a experiência, e a experiência a esperança. E a esperança não traz confusão, porquanto o amor de Deus está derramado em nossos corações pelo Espírito Santo que nos foi dado” Rm 5.1-5. Ele nos acalma assegurando que toda tribulação produz a paciência requerida para a superação; que a paciência nos conduz à experiência sobre as dores da vida; e que esta experiência fará nascer uma esperança indestrutível, que será capaz de vencer toda e qualquer adversidade por um motivo especialmente revelador: “porquanto o amor de Deus está derramado em nossos corações pelo Espírito Santo que nos foi dado”.

Se, por algum motivo, você passa agora por tribulações, CREIA EM DEUS. Esta fé que você há de receber como dom de Deus, irá produzir a força necessária à sua vitória. Ela agira como um dínamo e explodirá as cadeias da dor e do sofrimento; ela lhe trará ESPERANÇA e, enfim, lhe conduzirá a pastos verdejantes e às águas tranquilas, em nome de Jesus!

sexta-feira, 24 de dezembro de 2010

ANTES QUE O ANO TERMINE...


Pr. Raul Marques


Ufa! Quase tiramos este ano de um só fôlego ou, quem sabe, ele foi tão intenso que nem nos demos conta de que estava chegando ao fim... Em apenas alguns dias ele findará, e teremos cumprido mais uma etapa da nossa existência. Lembro-me perfeitamente da mística que aureolava a chegada do ano 2000. Lembro-me até de um cantor popular que dizia a plenos pulmões: “Só pretendo morrer depois de 2001...”. Mas, como tudo na vida passa – e é bem melhor que seja assim! -, estamos testemunhando a passagem de mais um tempo. Não podemos e nem devemos, sob quaisquer pretextos, ficar murmurando cantigas de chororô, revivendo páginas de melodrama ou, quem sabe, amedrontados com o espectro do que poderia ter sido e não foi. Estamos nos aproximando da reta de chegada de um novo ano, quem sabe, cheios de anseios, dúvidas, indagações, certezas, e até medos. Sim, medos do amanhã; medos do porvir; medos do desconhecido, etc.

Antes que o ano termine, vamos analisar o nosso balanço de perdas e danos? Vamos em seguida virar a página e nos debruçar sobre os resultados dos nossos investimentos e das aplicações realizadas? Apesar de parecer óbvio, não estou me referindo a dados econômicos ou financeiros, estou buscando por registros da emoção, da espiritualidade, da personalidade, da ética, do “não-ceder” às seduções baratas e aviltantes; do não se deter diante das falácias e das adversidades; de não se achar recalcitrante, etc.

Antes que o ano termine, vamos voltar a pensar naqueles amigos que por mais que o tempo passe não consegue apagá-los da nossa lembrança! Daquelas pessoas que entraram em nossa história de uma forma não tão significativa, mas passaram a significar tanto prá nós! Vamos rememorar fatos que permitam o deleite! Vamos dizer exatamente como disse Jeremias: “Quero trazer à memória somente aquilo que me dá esperança” (Lm 3.21).

Antes que o ano termine, vamos elevar os nossos olhos para o monte; é de lá que nos vem o socorro! Vamos caminhar na perspectiva de que tudo o quanto nos vier às mãos para fazer, faremos, para a glória de Deus! Vamos prosseguir de tal modo que, ainda que o cálice seja amargo, ainda assim o beberemos! Vamos persistir, ainda que a figueira não floresça! Vamos continuar a caminhada, mesmo que nos façam andar a segunda milha!

Antes que o ano termine e o sol chegue a se pôr sobre a nossa ira, perdoemo-nos; sabedores de que, no que depender de nós, devemos ter paz com todos os homens! Antes que o fio de prata se arrebente, voltemos o olhar de misericórdia àqueles que nos feriram, conscientes de que a nossa luta não é contra a carne e o sangue, mas, contra os principados e potestades! Antes que nos venha o dia mal, busquemos ao Senhor com todo o nosso entendimento! Antes que alguém nos fira um lado do rosto e sejamos obrigados a oferecer-lhe o outro, oremos para que ele desista dessas atitudes e se converta verdadeiramente!

Por tudo isto, e antes que chegue o novo ano, FELIZ ANO NOVO, agora e sempre!

sábado, 4 de dezembro de 2010

Quando a Igreja faz sentido

Pr. Raul Marques


O neoliberalismo e o capitalismo selvagem instalados no mundo atual, sobretudo nos países do Terceiro Mundo, e mais especificamente na América Latina onde nós estamos inseridos, têm afetado as famílias e as instituições na nossa sociedade de forma brutal e desconcertante, trazendo incontáveis prejuízos morais, sociais, psicológicos e espirituais sem precedentes. As mazelas advindas da descaracterização da família são responsáveis pelo desmoronamento da fé necessária e sadia, e da impotência da Igreja diante do caos social manifesto através das sandices culturais escondidas atrás da cortina da chamada modernidade. Afinal de contas, de que mais se ressente a Igreja atual? De que mal está acometida a Igreja hoje? Certamente que estas questões só podem ser respondidas a contento à luz do verdadeiro e único manual de conduta e postura cristãs, a Bíblia Sagrada.
O livro de Atos dos Apóstolos (ou Atos do Espírito Santo através dos apóstolos) nos dá a dimensão exata de como uma sociedade passa a fazer sentido através da compreensão das ações de Deus na vida humana. Após sete semanas da ressurreição de Jesus Cristo ocorreu o Pentecostes. Muitos que haviam se maravilhado com os milagres de Jesus, e muitos dos que haviam se comprometido com o Seu plano de mudança de vida, já se tinham dispersado por medo ou por pura incredulidade. Mas, alguns ainda se mantinham unidos à espera de que se concretizassem as promessas do mestre Galileu. O mundo da época era semelhante ao nosso: muito pecado, rebeldia, distanciamento dos padrões da fé, escravidão política, queda moral, caos social, etc. Todos ansiavam por mudanças, mas ninguém queria começar por si mesmo; alguma coisa teria que cair do céu... E, como toda resposta às nossas inquietações só pode vir de cima, Deus agiu trazendo a elucidação dos fatos através de Pedro, naquilo que o Espírito Santo já havia prometido ao profeta Joel, cerca de 820 a.C, fazendo com que as pessoas se voltassem para o verdadeiro sentido de vida comunitária através da experiência da fé e da transformação de seus pensamentos.
Depois da manifestação sobrenatural de Deus e da perplexidade dos discípulos, que logo instigaram multidões que indagavam sobre o que estava acontecendo, veio o sopro do Espírito Santo sobre todos eles trazendo unidade, fé, esperança e significado de vida verdadeira. Foi assim que Lucas viu e registrou através destas palavras: “
Regularmente eles adoravam juntos no templo todos os dias, reuniam-se em grupos pequenos nas casas para a Comunhão, e participavam das suas refeições com grande alegria e gratidão, louvando a Deus. A cidade inteira tinha simpatia por eles, e cada dia o próprio Senhor acrescentava à igreja todos os que estavam sendo salvos” Atos 2.46-47. Neste exato instante a comunidade da esperança começou a fazer sentido. A vida pessoal começou a ter significado. A fé começou a operar mudanças: todos agora tinham desejo e alegria de estarem juntos todos os dias; faziam questão de compartilhar as refeições; estavam juntos e comprometidos com Deus através da oração e da comunhão. Todos estes fatos fizeram com que a cidade inteira simpatizasse e se mostrasse interessada na verdadeira igreja que se formava em toda a sua pujança e plenitude. Somente assim faz sentido ser Igreja. Somente assim Deus se agradará de nós!