quinta-feira, 11 de fevereiro de 2021

 O PODER INEXPLICÁVEL DA FÉ!



Pr. Raul Marques



Todos os dias encontramos pessoas cheias de problemas. Umas, lutando com todas as suas forças; outras, porém, já entregando os pontos; ou, como diriam os amantes do futebol: “pendurando as chuteiras”. A toda hora é possível ver alguém com cara de vencido; com aspecto de quem acabou de ver fantasmas. Esse é o drama do homem. Ou, como diria Belchior: “a divina comédia humana, onde nada é eterno”. Menos ruim é saber que esse mal pode não ser eterno; é uma questão de ponto de vista, ou melhor, é uma questão de visão eminentemente espiritual.

Que todos sofrem, é certo, senão Jesus não teria explicitado ao afirmar: “No mundo tereis aflições, mas tende bom ânimo, eu venci o mundo!” (João 16.33). Não obstante todo esse dilema humano, toda essa paranoia de sofrimento, tribulação, transgressão, pecado e morte como consequência, temos uma porta aberta para saída de qualquer dessas situações limítrofes: a fé! Quero levá-lo a pensar comigo numa das maiores esperanças que o Senhor Jesus veio trazer ao drama do homem. Certa vez, em meio a uma situação dramática e de comoção, Ele afirmou: “Aquele que crê em mim, ainda que esteja morto, viverá!”. Não pode haver maior esperança do que essa! A morte é a cessação das oportunidades; mas, para o homem, não para Deus. Com base nessa afirmação de Jesus quero levá-lo a perceber pelos olhos da fé as soluções para as suas agruras e inquietações. Quero fazê-lo entender que nem tudo está perdido; que “para aquele que está na companhia dos vivos há esperança” (Eclesiastes 9.4), e que se houver verdadeiramente fé genuína o milagre ocorrerá, pois o próprio Jesus empenhou a sua palavra afirmando: “Pedi, e dar-se-vos-á; buscai, e encontrareis; batei, e abrir-se-vos-á. Porque, todo aquele que pede, recebe; e, o que busca, encontra; e, ao que bate se abre” (Mateus 7.7-8).

Ora, se Jesus afirma que aquele que nele crê ainda que esteja morto viverá, então, por mais perto que alguém esteja do fracasso ou do fundo do poço, não deve entregar os pontos... Deve, isto sim, clamar ao Deus do impossível, do mesmo modo como fervorosamente fez o cego Bartimeu: “Jesus, Filho de Davi, tem misericórdia de mim!”, e assim, agindo unicamente movido pela fé inabalável, receba de Deus o socorro bem presente na hora da angústia. Muita gente está vencendo a incredulidade abraçando o Evangelho de Jesus Cristo, pois, vive na certeza de que “ainda que esteja morto, viverá!”. Os resultados da fé às vezes não podem ser explicados, mas, todos eles podem ser sentidos. Que Deus tenha misericórdia de todos nós!

sábado, 23 de janeiro de 2021

Nós, o fósforo e a vela...


Pr. Raul Marques

Vasculhando os meus alfarrábios encontrei uma ilustração que eu havia guardado desde a época em que fui seminarista, quando a usei numa redação em um dos períodos da disciplina "Português". Foi muito bom reavê-la, sobretudo porque tive saudades dos colegas, do professor, mas, igualmente por que ela me trouxe a uma realidade presente que, embora dura, é profundamente enriquecedora. A Bíblia nos ensina que "se a semente não morrer não pode germinar". Isto significa que tudo tem um tempo de vida; tudo tem um ciclo; tudo tem um propósito. Aliás, a Bíblia também nos ensina que há tempo para todo propósito debaixo do céu... Quando reli a fábula do Fósforo e a Vela logo vi luz jogada sobre minhas circunstâncias vivenciadas presentemente. O fósforo, para ser útil em dissipar as trevas, precisa que lhe esfreguem-no sobre uma lixa incendiária e, assim. brilhará até que vire um minúsculo carvão. Para continuar irradiando o seu brilho será necessário que, antes de perecer, ateie o seu fogo numa vela. A vela, por sua vez, será apenas um pequeno rolo de parafina com um pavio central, fria e sem brilho, até que lhe acendam e assim possa iluminar quantos estejam próximos dos seus raios de luz até que, finalmente, derretida complete o seu ciclo de vida, e outra vela seja posta em seu lugar para continuar brilhando.

Assim também é o ciclo de nossas vidas. Ninguém viverá eternamente sem que tenha vida própria. Para que o nosso brilho seja eterno é necessário que tenhamos em nós a fonte de vida eterna; e esta fonte é JESUS CRISTO. Por este motivo Ele disse: "Eu sou a ressurreição e a vida; quem crê em mim ainda que esteja morto, viverá" (João 11.25). Todos nós recebemos de Deus uma tarefa a cumprir e devemos fazê-lo com a consciência de que ela tem começo, meio e fim. Quantas vezes nos sentimos meio fósforosmeio velas? Se ainda desejamos que o nosso brilho repercuta, é preciso que acendamos outros fósforos que sejam capazes de acenderem outras velas, afinal de contas, disse-nos Jesus ao nosso respeito: "vós sóis a luz do mundo". Que o Senhor nos ajude a entender o início, o meio e o fim de cada uma das tarefas que nos foram confiadas, e cumpri-las com a dignidade do fósforo e da vela, ainda que tenhamos que perecer... Ainda que venhamos nos assemelhar a um minúsculo pedaço de carvão ou a uma gota de parafina derretida... Mais importante será que tenhamos cumprido a nossa parte de modo a ouvirmos do Senhor: “bem está, servo bom e fiel; sobre o pouco foste fiel, sobre o muito te colocarei; entra no gozo do teu Senhor” Mateus 25.21.

 


quinta-feira, 14 de janeiro de 2021

 FRENTE E VERSO DO BORDADO EXISTENCIAL

 Pr. Raul Marques



Quase nunca prestamos atenção na parte de trás de um bordado. À primeira vista toda tela é impecável! Invariavelmente, somos tentados a concluir que todo livro que traz uma boa capa é um excelente livro... Até declaramos poética e equivocadamente que “aquilo que os olhos não vêm, o coração não sente...”.
Lembro-me, perfeitamente, que em anos já distantes, vi muitas vezes mulheres esmeradas cuidando de bordados elaborados em um tecido esticado à base de duas argolas de madeira, com agulha e linhas de diversas cores, num entra e sai repetitivo que findava por trazer à vista belíssimas decorações e desenhos os mais variados e profundamente complexos! É tudo mais ou menos semelhante a um edifício concluído e irretocavelmente bem acabado, que não deixa à mostra vigas com excesso de cimento, pontas de ferro, arames, pedaços de gesso, fios e tubulações tão feias, porém, tão calculadamente postos...Ao recordar-me daqueles bordados, lembrei-me de pronto, que eles sempre tinham o avesso muito enfeado por um emaranhado de linhas que não mostravam quase nenhuma conexão e muito menos beleza... O verso do bordado era, por assim dizer, desprezível! Tinha razão, portanto, o filósofo Platão ao afirmar que nada do que vemos é real, apenas a sombra ou a aparência retratada do modo ideal.


Há um adágio popular que afirma: “Nem tudo o que reluz é ouro!”. Quem jamais ousou afirmar, por exemplo, que a Mona Lisa sorri de satisfação ou timidez? Qualquer conclusão é meramente especulativa e pessoal. Por trás daquela expressão há um enigmático sentimento; da modelo ou do artista...
Há tanta gente que se parece com este protótipo! Muitos de nós têm tentado viver para vender uma imagem instigante de si mesmos quando, na verdade, o esforço maior é o de esconder o emaranhado de linhas desconexas do bordado existencial! A policromia dos carretéis é gasta na tentativa de melhorar a avaliação externa do bordado do caráter; a agulha que atravessa o tecido da personalidade não consegue esconder os nós e pedaços de linha que interrompem a tessitura do bordado...


Na Bíblia, pela boca de Jesus, encontramos uma similaridade deste quadro: “Ai de vós, escribas e fariseus, hipócritas! pois que sois semelhantes aos sepulcros caiados, que por fora realmente parecem formosos, mas interiormente estão cheios de ossos de mortos e de toda a imundícia” Mateus 23:27. Nunca devemos avaliar as pessoas e as situações, simplesmente pelas partes exteriores, senão correremos sempre o risco de deixar de ver o que está por dentro ou por trás... Tem misericórdia de nós, Senhor, e cuida do bordado da nossa existência!

sexta-feira, 1 de janeiro de 2021

 RECOMEÇO


Pr. Raul Marques

 

              Alguém já disse que “um ponto final é apenas o inicio de um novo parágrafo”. Sim, sem dúvidas, embora às vezes o ponto final poderá significar o desfecho de toda uma história que acaba de ser contada...

             Rasgamos a última folhinha do calendário do ano, mas ao lado dele já avistamos a página inicial de um novo marcador de novos dias e meses de mais um novo, como alguém gritando a plenos pulmões no megafone da existência: “Continue! O tempo ainda não parou pra você!”. Como diria o profeta: “Conheçamos e prossigamos em conhecer o Senhor!” (Oséias 6.3). A vida é encantadora também por este aspecto: ela se recicla, se renova, enfim, recomeça...

          Tivemos um ano que passou absolutamente marcado pelos sobressaltos, pelo medo, pela incerteza, pelas perdas irreparáveis e de dados absurdos, como: mais de 83.527.738 casos registrados no mundo de infectados pela COVID-19, dos quais 47.109.370 foram recuperados e, infelizmente, 1.819.905 morreram, com recorde de 15.518 pessoas num só dia, segundo a universidade Johns Hopkins.

            O mundo inteiro parou. Daí, inevitavelmente, algumas reflexões devem ser feitas: Por que desaceleramos tão bruscamente? O que estamos fazendo com o tempo que dizíamos não ter? Por que, de repente, a família passou a ter uma importância tamanha? Por que descobrimos, finalmente, o nosso lado mais podre: o individualismo, e passamos a sentir tanto a falta do abraço, do aperto de mãos, o valor do sorriso escancarado? Por que foi preciso a orientalização do costume do uso da “quase burca”, a máscara, como que a esconder o nosso rosto da vergonha da falta de solidariedade humana? Por que, de repente, os lares passaram a ser o lugar menos perigoso do planeta? Por que será que fomos tão abruptamente arrancados dos braços dos nossos entes mais queridos? Por que a solidão do isolamento tornou-se um fardo pesado se já o praticávamos egoisticamente e sem a menor explicação racional?

          Rapidamente tivemos que suportar a dor dos “ilhados”. Tivemos que buscar pelo próximo ainda que fosse somente saindo na sacada, indo até o meio do caminho, mantendo a distância... Tivemos a necessidade de cumprimentos ainda que fossem por telefones, vídeos, cartazes... Fomos forçados por um meio invisível a entender o individualismo quando já o praticávamos quando tínhamos total liberdade de ir e vir e nos omitíamos... Quando, na verdade, tudo isto voltará ao normal? Mas, afinal, que normal? Quem disse que a forma como vivíamos era normal? A maior e mais profunda mutação que está se revelando não é a do vírus, mas a nossa! Mudamos tão profundamente a nossa forma de viver e de pensar que o outro, o próximo, já não fazia parte do nosso espetáculo; nós éramos as estrelas em constelações ilhadas e perdidas num infinito coberto de efemeridades e despropósitos!

          Deus nos concedeu um RECOMEÇO, por isto mesmo estamos aqui agora! O que iremos fazer daqui por diante? Que sentido daremos às nossas vidas? O que faremos com a nossa capacidade de amar o próximo como a nós mesmos? Será que daremos lugar a Deus na nossa vida, no nosso quarto, na nossa mesa?

          Porque há esperança para a árvore que, se for cortada, ainda se renovará, e não cessarão os seus renovos. Se envelhecer na terra a sua raiz, e o seu tronco morrer no pó, ao cheiro das águas brotará, e dará ramos como uma planta(Jó 14:7-9). É tempo de recomeçar, façamo-lo da maneira certa! Deixemos de lado a nossa arrogância e planos escusos, de maneira que o Senhor tome a direção das nossas vidas e nos leve às águas de descanso! Que o Senhor tenha misericórdia de todos nós!