sábado, 12 de fevereiro de 2011

A FORÇA QUE SÓ VEM DE DEUS...

Pr. Raul Marques

“Embora as figueiras tenham sido totalmente destruídas e não haja flores nem frutos; embora as colheitas de azeitonas sejam um fracasso e os campos estejam imprestáveis; embora os rebanhos morram pelos pastos e os currais estejam vazios, eu me alegrarei no Senhor! Ficarei muito feliz no Deus da minha salvação! O Senhor Deus é a minha força. Ele me dá a velocidade da corça e me guia em segurança por sobre as montanhas” Hc 3.17-19 – BV

Uma das expressões bíblicas mais profundas e mais animadoras vem do profeta Jeremias: As misericórdias do Senhor são a causa de não sermos consumidos, porque as Suas misericórdias não têm fim” Lamentações 3:22. Ai de nós se Deus não usasse de Sua misericórdia para conosco! As nossas fraquezas são tantas, que muitas vezes ficamos impedidos de prosseguir nos nossos caminhos e de darmos cabo às nossas tarefas, porque paramos estacionados nas impossibilidades. Mas, Deus não nos fez destinados às frustrações, decepções e fracassos. Ele nos capacitou de visão e de força interior através da fé. E, se sem fé é impossível agradar a Deus (Hb 11.6), é certo que não agradaremos ao Senhor com vidas sem significados e sem propósitos. É preciso que vivamos numa perspectiva que vai além das circunstâncias.

Quanta gente jovem tem desistido dos seus sonhos? Quantos casais têm desistido da felicidade? Quantas pessoas têm desistido da vida porque encontram diante de si problemas e obstáculos que parecem insolúveis e intransponíveis? Quantas igrejas têm perdido a visão porque o mundo as invadiu de tal modo, que os seus membros parecem sócios; os seus ministros, gerentes; o seu planejamento não é de acordo com Deus, mas de acordo com o mercado. Quantos vocacionados deixaram de prosseguir qualificados por Deus, influenciados pelos métodos de academicismos absolutamente contrários à total dependência do Senhor? Quantos irmãos sabem mais sobre maledicências do que sobre os conteúdos espirituais da sua igreja? Quantos estão perdendo as forças e o entusiasmo porque ao invés de estarem com os olhos postos em Cristo, autor e consumador da nossa fé, desviaram os seus olhares para pessoas, às vezes inescrupulosas e a serviço do mal?

Só há uma maneira de vencermos essas adversidades: pela fé! “Todo o que é nascido de Deus vence (ou está sempre vencendo) o mundo; e esta é a vitória que vence o mundo: a nossa fé” I João 5.4. O apóstolo Paulo aprendeu e nos ensinou que “o justo viverá por fé” Gálatas 3.11. O profeta Habacuque também se expressou assim. Aliás, é também o profeta Habacuque quem nos dá a maior de todas as lições sobre como vencer as adversidades desta vida. No capítulo 3 e versículos 17 a 19, ele nos indica qual o caminho através do qual devemos prosseguir diante das tempestuosas situações com as quais nos defrontamos nesta vida; sejam elas relativas aos nossos relacionamentos, atividades religiosas, experiências familiares, caos financeiro, limitações na saúde, conflitos conjugais, contendas entre irmãos, etc. Fazendo analogia das suas palavras, ele diz: Ainda que nada nos pareça ideal, e que as coisas estejam todas fora de lugar; que não haja sequer uma brecha de solução; mesmo que todos tenham desistido de tudo; eu me alegrarei no Senhor! Ele transformará todo o caos. Ele, e somente Ele, me elevará acima de todas essas circunstâncias!“. É por isso mesmo que é importante ter fé, mas isso não vem de nós, não vende em supermercado, não se adquire por herança, não se pode repassar por facilitação; É DOM DE DEUS (Efésios 2.8). Esta é a força que só vem de Deus. Quem quer vencer, precisa buscá-la: “Pedi, e dar-se-vos-á; buscai, e achareis; batei e abrir-se-vos-á” Mat.7:7.

sábado, 5 de fevereiro de 2011

O QUE CRISTO REALMENTE PREGOU?

Pr. Raul Marques

Jesus Cristo viveu tão livre das amarras religiosas e das convenções sociais quanto pregou. É por esta razão que está estampado na Palavra de Deus: se, pois, o Filho vos libertar, verdadeiramente sereis livres” (João 8.36). A obediência de Jesus ao Pai era tão extremada que Ele nada fazia sem antes consultá-lo em oração. Aliás, o Pai já tinha absoluta ciência disso, pois, ao apresentar-se no momento do batismo de Jesus Ele assim se expressou: “Tu és o meu Filho amado, em quem tenho prazer” (Mc 1.11). A liberdade que Jesus pregou, Ele viveu. Por causa desta liberdade Ele até repreendeu duramente aqueles que se tornaram seus maiores opositores: os fariseus e os doutores da Lei: “Um dos doutores da lei lhe disse: Mestre, falando assim também a nós outros nos afrontas. Ele respondeu: Ai também de vós, doutores da lei, que carregais os homens com pesos que não podem levar, mas vós mesmos nem sequer com um dedo vosso tocais os fardos”. Impor regras e ordens aos outros é fácil, difícil mesmo é começar por si!

Certa vez entrou na Igreja um casal para participar do culto de oração e estudo da Palavra de Deus. Eu não conhecia nem o homem e nem a mulher, e recebi a cada um como aos demais. Ao término do culto alguém me chamou e comentou: “Pastor, eu não acredito que o Senhor vai receber aqui este casal!”. Aquela não foi a censura de um crente, mas de um religioso. Foi um comentário infeliz, preconceituoso e desprovido de qualquer amor ou piedade. Fiquei tão triste ao ouvir aquilo que logo lhe coloquei diante de um impasse: “Há entre nós alguém menos pecador que eles?”.

Foi o suficiente para que a pessoa interrompesse o inquérito e saísse. Certamente aquela pessoa não tinha idéia do que significa GRAÇA; não havia deixado entrar em seu coração o ensino libertário de Jesus, que diz: “Não são as pessoas sadias que precisam de médico, mas as doentes. Eu não vim para chamar justos, mas sim pecadores” Mc 2.13-17.

Ainda hoje sofremos por estas mesmas causas. Muitos não conseguem se firmar no Evangelho em decorrência de um pretenso puritanismo ou de uma pseudo-santidade que, com toda certeza, não estão respaldados em Jesus. Ele nunca desejou execrar ninguém; Ele nunca intentou descartar ninguém; Ele nunca humilhou ninguém. Embora Jesus sempre saiba o que vai fundo em nossos corações, e conheça perfeitamente as causas das nossas atitudes e comportamentos, mesmo assim Ele nos ama e anseia por nossa salvação. A liberdade que Ele viveu e pregou nos atrai para uma mudança muito mais profunda, menos estética e muito mais ética. Foi isto que Ele pregou; foi isto que Paulo entendeu e por isto afirmou: “Para a liberdade foi que Cristo nos libertou. Permanecei, pois firmes e não vos submetais de novo a jugo de escravidão” (Gálatas 5.1). Que Deus tenha misericórdia de todos nós.

O TEATRO DA ALMA

Pr. Raul Marques

“E tudo o quanto fizerdes, por palavra ou por obra, fazei-o em nome do Senhor Jesus, dando por Ele graças a Deus Pai” Colossenses 3.17


A tarefa mais difícil na vida cristã não é ir à Igreja costumeiramente, mas estar na Igreja conscientemente. Por que será que o apóstolo Paulo chamou a igreja de Corpo de Cristo? Ora, se Cristo é santo e a igreja é o seu corpo, e nós somos o Corpo de Cristo, é fácil deduzir que devemos ser santos. Devemos estar separados de tudo o que é próprio dos pagãos, dos incrédulos, dos escarnecedores, dos ímpios, etc. No entanto, o reconhecimento dos que estão separados não é nada simples; é uma das tarefas mais complicadas. Tanto é que o Senhor Jesus ilustrou através de uma parábola o seguinte ensino: Mateus 13.24 Jesus propôs-lhes outra parábola: O Reino dos céus é semelhante a um homem que tinha semeado boa semente em seu campo. 25. Na hora, porém, em que os homens repousavam, veio o seu inimigo, semeou joio no meio do trigo e partiu. 26. O trigo cresceu e deu fruto, mas apareceu também o joio. 27. Os servidores do pai de família vieram e disseram-lhe: - Senhor, não semeaste bom trigo em teu campo? Donde vem, pois, o joio? 28. Disse-lhes ele: - Foi um inimigo que fez isto! Replicaram-lhe: - Queres que vamos e o arranquemos? 29. - Não, disse ele; arrancando o joio, arriscais a tirar também o trigo. 30. Deixai-os crescer juntos até a colheita. No tempo da colheita, direi aos ceifadores: arrancai primeiro o joio e atai-o em feixes para o queimar. Recolhei depois o trigo no meu celeiro. São semelhantes, nunca iguais! É exatamente por este fato que vemos tantas vezes a fé teatralizada. Isto tem a ver com a vocação da alma humana. Ela tem sede de fantasia. Ela foi degenerada pelo pecado e tem uma inclinação tenebrosa para o parecer ser... É por esta razão que às vezes ficamos perplexos e sobressaltados com certas atitudes que não dizem respeito à verdadeira conduta cristã. É por isso que temos tanta dificuldade para compreender certas ações de pessoas que apenas aparentam ser aquilo que, na verdade, não são. É o teatro da alma. Ela se traveste. Ela se transforma de acordo com o papel que intente representar. São as muitas facetas do engano. São a presença constante das máscaras sociais e espirituais. Existem pessoas cujas almas são feias e sujas, e não lhes adianta a cor com que se pintaram; mais cedo ou mais tarde a maquiagem estará borrada; quem sabe, as lágrimas mancharão a tintura do rosto e revelarão as deformidades originais. Esses são o joio. No entanto, felizmente há também o verdadeiro trigo, em cuja semente não há mistura, não há artificialismos, mas originalidade. E quando se encerram os atos e o teatro chega ao fim, resta tão somente a verdade. É neste exato instante que ocorrerá aquilo que o próprio Jesus ensinou: Deixai-os crescer juntos até a colheita. No tempo da colheita, direi aos ceifadores: arrancai primeiro o joio e atai-o em feixes para o queimar. Recolhei depois o trigo no meu celeiro. Que Deus tenha misericórdia de todos nós!

terça-feira, 11 de janeiro de 2011

PRODUZINDO ESPERANÇA


Pr. Raul Marques

Dentre as inúmeras inspirações do apóstolo Paulo sobre as tribulações da vida, uma em particular tem um significado mais que especial: Romanos 5.1-5. Esta é uma das passagens bíblicas mais espetaculares. Ela sintetiza tudo o que se possa pretender escrever dentro da psicologia dos homens. Ela expressa a força que vem da fé. Ela dá visibilidade ao invisível. Ela prova o improvável. Ela vem de Deus.

Todos nós enfrentamos muitas adversidades, tribulações e tormentas em nossas vidas. Algumas são tão vorazes que chegamos a pensar em desistir de tudo, entregar os pontos ou, quem sabe, na linguagem popular: pendurar as chuteiras dando o jogo por vencido. É na tribulação que muitos sucumbem. É na efervescência da dor que muitos estacionam. É na ebulição do sofrimento que tantos definham e se amiúdam até saírem de cena... É na contumácia das perdas que muitos esmorecem e se entregam ao torpor dos remédios, dos vícios, das depressões, e até do suicídio. O vazio existencial consome as forças humanas. A solidão e a amargura minam as nossas energias e fragmentam os nossos sonhos até fazê-los insignificantes. A desesperança nasce na dor.

Ensina-nos a Palavra de Deus que “Tudo acontece igualmente a todos: a mesma sorte para o justo e para o ímpio, para o bom e puro e para o impuro, para o que oferece sacrifícios e para o que não oferece” Ec 9.2. Deste modo entendemos que o sofrimento é próprio dos homens, que estamos todos na mesma condição de igualdade na dor. Todos, indistintamente, sofremos os revezes da vida; as decepções, as frustrações e os descompassos da nossa existência. Mas, em meio a tudo isso, eis que surge a grande e absoluta diferença entre os que crêem e os que não crêem: o milagre da perseverança até a vitória. Profundamente deslumbrado com o poder da fé em Jesus Cristo, Paulo afirmou não ter vergonha de crer e de atender ao Evangelho porque, segundo ele, “é o poder de Deus para a salvação de todo o que crê” Rm 1.16.

O que nos impulsiona a viver o momento seguinte é a nossa esperança de que ele, enfim, será melhor. O que nos dirige para o futuro é a fé. O que nos assegura que a vitória virá é a confiança concreta de que “Deus existe e que é galardoador daqueles que o buscam” Hb 11.6. Por todas essas razões o apóstolo Paulo recebeu do Espírito Santo de Deus e nos repassou as seguintes palavras: “Tendo sido, pois, justificados pela fé, temos paz com Deus, por nosso Senhor Jesus Cristo; pelo qual também temos entrada pela fé a esta graça, na qual estamos firmes, e nos gloriamos na esperança da glória de Deus. E não somente isto, mas também nos gloriamos nas tribulações; sabendo que a tribulação produz a paciência, e a paciência a experiência, e a experiência a esperança. E a esperança não traz confusão, porquanto o amor de Deus está derramado em nossos corações pelo Espírito Santo que nos foi dado” Rm 5.1-5. Ele nos acalma assegurando que toda tribulação produz a paciência requerida para a superação; que a paciência nos conduz à experiência sobre as dores da vida; e que esta experiência fará nascer uma esperança indestrutível, que será capaz de vencer toda e qualquer adversidade por um motivo especialmente revelador: “porquanto o amor de Deus está derramado em nossos corações pelo Espírito Santo que nos foi dado”.

Se, por algum motivo, você passa agora por tribulações, CREIA EM DEUS. Esta fé que você há de receber como dom de Deus, irá produzir a força necessária à sua vitória. Ela agira como um dínamo e explodirá as cadeias da dor e do sofrimento; ela lhe trará ESPERANÇA e, enfim, lhe conduzirá a pastos verdejantes e às águas tranquilas, em nome de Jesus!

sexta-feira, 24 de dezembro de 2010

ANTES QUE O ANO TERMINE...


Pr. Raul Marques


Ufa! Quase tiramos este ano de um só fôlego ou, quem sabe, ele foi tão intenso que nem nos demos conta de que estava chegando ao fim... Em apenas alguns dias ele findará, e teremos cumprido mais uma etapa da nossa existência. Lembro-me perfeitamente da mística que aureolava a chegada do ano 2000. Lembro-me até de um cantor popular que dizia a plenos pulmões: “Só pretendo morrer depois de 2001...”. Mas, como tudo na vida passa – e é bem melhor que seja assim! -, estamos testemunhando a passagem de mais um tempo. Não podemos e nem devemos, sob quaisquer pretextos, ficar murmurando cantigas de chororô, revivendo páginas de melodrama ou, quem sabe, amedrontados com o espectro do que poderia ter sido e não foi. Estamos nos aproximando da reta de chegada de um novo ano, quem sabe, cheios de anseios, dúvidas, indagações, certezas, e até medos. Sim, medos do amanhã; medos do porvir; medos do desconhecido, etc.

Antes que o ano termine, vamos analisar o nosso balanço de perdas e danos? Vamos em seguida virar a página e nos debruçar sobre os resultados dos nossos investimentos e das aplicações realizadas? Apesar de parecer óbvio, não estou me referindo a dados econômicos ou financeiros, estou buscando por registros da emoção, da espiritualidade, da personalidade, da ética, do “não-ceder” às seduções baratas e aviltantes; do não se deter diante das falácias e das adversidades; de não se achar recalcitrante, etc.

Antes que o ano termine, vamos voltar a pensar naqueles amigos que por mais que o tempo passe não consegue apagá-los da nossa lembrança! Daquelas pessoas que entraram em nossa história de uma forma não tão significativa, mas passaram a significar tanto prá nós! Vamos rememorar fatos que permitam o deleite! Vamos dizer exatamente como disse Jeremias: “Quero trazer à memória somente aquilo que me dá esperança” (Lm 3.21).

Antes que o ano termine, vamos elevar os nossos olhos para o monte; é de lá que nos vem o socorro! Vamos caminhar na perspectiva de que tudo o quanto nos vier às mãos para fazer, faremos, para a glória de Deus! Vamos prosseguir de tal modo que, ainda que o cálice seja amargo, ainda assim o beberemos! Vamos persistir, ainda que a figueira não floresça! Vamos continuar a caminhada, mesmo que nos façam andar a segunda milha!

Antes que o ano termine e o sol chegue a se pôr sobre a nossa ira, perdoemo-nos; sabedores de que, no que depender de nós, devemos ter paz com todos os homens! Antes que o fio de prata se arrebente, voltemos o olhar de misericórdia àqueles que nos feriram, conscientes de que a nossa luta não é contra a carne e o sangue, mas, contra os principados e potestades! Antes que nos venha o dia mal, busquemos ao Senhor com todo o nosso entendimento! Antes que alguém nos fira um lado do rosto e sejamos obrigados a oferecer-lhe o outro, oremos para que ele desista dessas atitudes e se converta verdadeiramente!

Por tudo isto, e antes que chegue o novo ano, FELIZ ANO NOVO, agora e sempre!