terça-feira, 1 de março de 2022

 DEPOIS DE ATIRADA A PRIMEIRA PEDRA...

Pr. Raul Marques


             Vivemos hoje em mundo completamente cheio de censuras, altamente discriminatório, enfermo da alma e sufocado pela solidão dos indivíduos! Será que estamos experimentando agora os modos de vida pensados por Aldous Huxley, porém em fases muito mais complexas? Será que já mergulhamos no mais profundo caos da coisificação da vida? Será que nos tornamos tão utilitários quanto descartáveis? Será que estamos testando inutilmente a teoria amarga e desiludida de Friedrich Nietzsche?

          Pois bem, o caos foi se instalando paulatinamente... Nada mais será como antes! A tecnologia avançou tanto que já se pensa num ser híbrido, meio homem, meio máquina. Quem diria? Uma coisa apenas podemos ter absoluta certeza: Deus foi, é e sempre será o mesmo ontem, hoje e eternamente! Nele não há sombra de variação!

            Dado que este é o quadro mais realístico que podemos expor na galeria da existência, me deparei com diversas elucubrações em textos bíblicos que certamente nos auxiliarão na caminhada da exposição de situações que nos auxiliem na compreensão de fatos e ocorrências tão absurdamente desconcertantes entre o natural e o sobrenatural.

        Quando Jesus se encontrou exposto no traumático evento da “mulher adúltera”, expressão que, traduzida para os nossos dias, ganha novos contornos sociais e denuncia a ferocidade dos mais diversos tipos de discriminação, além de escancarar o tratamento difuso entre atores da mesma cena, incluídos no mesmo roteiro e protagonistas dos mesmos erros! Será a partir deste contexto que discorremos e caminharemos na nossa reflexão.

            Quando Jesus causa espanto e paralisia nos circunstantes, presentes na cena degradante de João 8.2-11, mostra-nos muito mais que a escrita da narrativa. O primeiro ponto estranho é o histórico: Jesus estava sendo duramente perseguido porque o seu discurso era completamente diverso daquele encontrado na sociedade de então, principalmente entre os religiosos, que ousavam pensar que eram os únicos capazes de interpretar os comportamentos e censurá-los à luz dos seus valores e conceitos.

          A primeira pedra atirada contra aquela mulher (pecadora, é verdade, entretanto, vulnerável e indefesa!), não foi lançada fisicamente por qualquer pessoa... A primeira pedrada foi a sua exposição pública: “Os mestres da lei e os fariseus trouxeram-lhe uma mulher surpreendida em adultério. Fizeram-na ficar em pé diante de todos e disseram a Jesus: "Mestre, esta mulher foi surpreendida em ato de adultérioJoão 8:3-4. Alguém, como eles no passado, pode argumentar hoje o seguinte: “ela foi surpreendida em pecado e a lei tinha aplicação para isto!”. Sim, é verdade, a lei assim determinava, porém, a frieza e crueldade da análise para aplicação da lei foi restabelecida por Jesus ao afirmar: "Se algum de vocês estiver sem pecado, seja o primeiro a atirar pedra nela" João 8:7.

               A primeira pedra atirada contra a mulher na narrativa bíblica foi uma ação deliberada do Diabo em Gênesis 3.1: “Ora, a serpente era o mais astuto de todos os animais selvagens que o Senhor Deus tinha feito. E ela perguntou à mulher: “Foi isto mesmo que Deus disse: ‘Não comam de nenhum fruto das árvores do jardim?’”. Esta pedrada repercutiu em toda a descendência humana tal como uma pedra lançada na superfície de um lago e segue saltitando e deixando marcas até que, finalmente, afundará em algum ponto...

         Resta-nos aqui uma parada final para reflexão pontual: depois de atirada a primeira pedra as repercussões são sempre gravíssimas! Nunca será a última pedra a que matará a pessoa alvejada! Já começamos a matar quando intentamos em nosso coração criticar e censurar a vida de alguém sem olharmos dentro dos nossos próprios olhos através do espelho da vida! Muito antes de atirada a primeira pedra já iniciamos o sacrifício mortal de alguém... Veja o que nos ensinou o Mestre Jesus: “Porém Eu advirto a todos: - a menos que vocês tenham melhor caráter que os fariseus e outros líderes dos judeus, não poderão de maneira nenhuma entrar no Reino do CéusMateus 5.20. Pensemos muito bem antes de atirar qualquer pedra conta alguém!

 

 

segunda-feira, 24 de janeiro de 2022

 QUANTAS VEZES JÁ NEGUEI A JESUS?


Pr. Raul Marques


Com atitudes estranhas e incompreensíveis todos nós ficamos admirados e surpresos, mas somente quando as vemos nos outros... Parece até que essas coisas nunca ocorrem conosco! Pois bem, foi pensando nisto que me veio imediatamente à memória a triste situação em que se envolveu o apóstolo Pedro com relação à negação da amizade tão estreita que ele tinha com Jesus Cristo. Pior do que a própria situação de Pedro é a situação daqueles que pensam estar imunes a essas tristezas de comportamentos inoportunos e injustificáveis. Pedro torna-se o arquétipo da contradição humana de amar e esquecer num piscar de olhos, quando nega publicamente que tinha conhecimento de quem era Jesus. Ele materializa toda a covardia humana diante da iminência do sofrimento honroso na defesa de causas tão nobres quanto aquelas que foram defendidas por Jesus, custando-lhe, inclusive, a própria vida.
Será que podemos nos excluir do rol daqueles que, como Pedro, traem a Jesus escandalosamente? Será que podemos agora parar por alguns instantes diante da inquietante arguição: “Quantas vezes já neguei a Jesus?”. Se formos bastante sinceros chegaremos a tristes conclusões...
Negamos a Jesus quando nos deparamos com a oportunidade de fazer o bem e não o fazemos. Negamos a Jesus quando temos a chance de ter uma família obediente a Deus e negligenciamos a experiência cristã dentro do nosso lar, deixando que o mundo dite as normas de nossa convivência no lar. Negamos a Jesus quando traímos os nossos irmãos ultrajando a igreja. Negamos a Jesus quando praticamos a nossa fé de maneira automática e superficial. Negamos a Jesus quando transparecemos tanto conhecimento religioso, mas vivemos tão vazios de humildade e simplicidade na fé. Não é que Pedro não gostasse de Jesus; ele simplesmente não foi capaz de demonstrar o seu amor na hora mais necessária. Será que estamos sendo recíprocos e leais com os nossos irmãos? Será que Jesus pode contar conosco? Que Deus tenha misericórdia de todos nós!

sexta-feira, 10 de dezembro de 2021

 O MAIOR EXEMPLO DE HUMILDADE

Pr. Raul Marques


 
“Nada façais por contenda ou por vanglória, mas por humildade; cada um considere os outros superiores a si mesmo” Filipenses 2:3

 

D

esde sempre o homem tornou-se “o lobo do homem”, como disse o filósofo inglês Thomas Hobbes. É fácil concordar com ele, sobretudo, após a deliberada decisão do homem em deixar-se influenciar, como podemos perceber em Adão e sua queda na narrativa bíblica, pela tentativa de sobrepujar tudo e todos, inclusive Deus. Não fomos feitos assim; nos tornamos assim!

Vivemos num mundo do “faz-de-contas”: o fingimento contagiou o coração humano de tal modo que é quase impossível encontrar relações sinceras; amizades desinteressadas; parcerias e companheirismos à base da transparência e da mais legítima honestidade! Tudo hoje tem que ser gravado, filmado, fotografado, afinal, nada mais deve ser desperdiçado como prova de uns contra outros. Foi-se o tempo em que a palavra tinha valor! Humildade hoje é sinônimo de fraqueza e de falta de destreza! Os cônjuges se traem, os amigos se traem, os familiares se traem... O isolacionismo dos seres humanos é a tônica do momento. Não obstante, você já não é mais exatamente como é; você vende a sua imagem, a sua postura e comportamento de acordo com as exigências do mercado. Para isto estão estabelecidas as mídias com os seus filtros e engodos. O mundo está na UTI da sobrevivência fútil!

Ainda há tempo para consertar, caso queiramos! O exemplo vem de uma região paupérrima, de uma cidadela sem significação política, sem destaques sociais, sem recursos financeiros, porém, com raízes morais e éticas sem contestações lógicas. Vem do mundo oriental mais civilizado e ao mesmo tempo mais odiado e perseguido da face da terra! Vem da cidade de Belém, da região da Judeia, de uma família simples e cheia de valores que, com o tempo se perderam dos seus descendentes, mas que precisam ser resgatados hoje, para o bem de todos e felicidade geral da humanidade.

Nunca precisamos tanto das qualidades encontradas em um único modelo-padrão de pessoa: Jesus Cristo, o Filho do Homem; o Emanuel; o Verbo de Deus que veio nascer entre nós! Ele, sim, viveu como pregou e pregou exclusivamente o modo como viveu. Ele é a fonte inesgotável da razão, da justiça, da moral, da ética, da sensibilidade, da paixão pela vida e do amor aos seus semelhantes!

Das inúmeras passagens bíblicas registradas para o nosso ensino e, atemporais quanto à sua essência e virtudes, uma em particular foi traduzida pelo apóstolo Paulo quando escreveu a Epístola aos Filipenses. No capítulo 2 ele faz uma narrativa inigualável acerca das qualidades de Jesus, impossível de não ser crida como verdadeira inspiração divina para o conserto humano! Diferentemente do que vemos e ouvimos hoje em dia sobre a soberba, o caráter e todo o conjunto de desestrutura da moral humana, Jesus é descrito como o nosso único modelo para retorno às raízes da decência e da correção. Assim, portanto, nos orienta Paulo:

 

“Nada façam por ambição egoísta ou por vaidade, mas humildemente considerem os outros superiores a si mesmos. Cada um cuide, não somente dos seus interesses, mas também dos interesses dos outros. Seja a atitude de vocês a mesma de Cristo Jesus, que, embora sendo Deus, não considerou que o ser igual a Deus era algo a que devia apegar-se; mas esvaziou-se a si mesmo, vindo a ser servo, tornando-se semelhante aos homens” Filipenses 2:3-7.

 

Ele conclama que tenhamos as mesmas atitudes de Jesus, pois, tendo tudo para sobrepujar quem quer que fosse, não considerou esta prerrogativa como importante para usá-la contra os seus pares, ao contrário disto, tomou a forma mais humilde possível para encorajar-nos a seguir tal exemplo. Por causa desta atitude, embora tenha granjeado a antipatia e aversão de tantos, foi fiel às qualificações do Pai, fiel ao Seu plano restaurador e, por fim, devolveu-nos a condição de reconciliação com Deus, fato tristemente esquecido até então, mas agora restabelecido pelo poder da verdadeira humildade.

Em tempos tão cruéis e aflitivos na convivência entre os homens, não pode haver imperativo maior e mais assertivo do que bebermos, em Paulo, daquilo que ele sorveu de Cristo. Ele, portanto, com a mais legítima propriedade de quem, uma vez convertido de suas más condutas, pode afirmar: “Tornem-se meus imitadores, como eu o sou de Cristo” 1 Coríntios 11:1. A humildade nunca deixará de ser útil e oportuna, corretiva e curadora. Que o Senhor tenha misericórdia de todos nós!

 

 

   

 

 

sábado, 13 de novembro de 2021

 O PODER INEXPLICÁVEL DA FÉ


Pr. Raul Marques


Todos os dias encontramos pessoas cheias de problemas. Umas, lutando com todas as suas forças; outras, porém, já entregando os pontos; ou, como diriam os adeptos do futebol: “pendurando as chuteiras”. A toda hora é possível ver alguém com cara de vencido; com aspecto de quem acabou de ver fantasmas. Esse é o drama do homem. Ou, como diria Belchior: “a divina comédia humana, onde nada é eterno”. Menos mal é saber que esse mal pode não ser eterno; é uma questão de ponto de vista, ou melhor, é uma questão de visão eminentemente espiritual.
Que todos sofrem, é certo, senão Jesus não teria explicitado ao afirmar: “No mundo tereis aflições, mas tende bom ânimo, eu venci o mundo!” (João 16.33). Não obstante todo esse dilema humano, toda essa paranoia de sofrimento, tribulação, transgressão, pecado e morte como consequência, temos uma porta aberta para saída de qualquer dessas situações limítrofes: a fé! Quero levá-lo a pensar comigo numa das maiores esperanças que o Senhor Jesus veio trazer ao drama do homem. Certa vez, em meio a uma situação dramática e de comoção, Ele afirmou: “Aquele que crê em mim, ainda que esteja morto, viverá!”. Não pode haver maior esperança do que essa! A morte é a cessação das oportunidades; mas, para o homem, não para Deus. Com base nessa afirmação de Jesus quero levá-lo a perceber pelos olhos da fé as soluções para as suas agruras e inquietações. Quero fazê-lo entender que nem tudo está perdido; que “para aquele que está na companhia dos vivos há esperança” (Eclesiastes 9.4), e que se houver verdadeiramente fé genuína o milagre ocorrerá, pois o próprio Jesus empenhou a sua palavra afirmando: “Pedi, e dar-se-vos-á; buscai, e encontrareis; batei, e abrir-se-vos-á. Porque, todo aquele que pede, recebe; e, o que busca, encontra; e, ao que bate se abre” (Mateus 7.7-8).
Ora, se Jesus afirma que aquele que nele crê ainda que esteja morto viverá, então, por mais perto que alguém esteja do fracasso ou do fundo do poço, não deve entregar os pontos... Deve, isto sim, clamar ao Deus do impossível, do mesmo modo como fervorosamente fez o cego Bartimeu: “Jesus, Filho de Davi, tem misericórdia de mim!”, e assim, agindo unicamente movido pela fé inabalável, receba de Deus o socorro bem presente na hora da angústia. Muita gente está vencendo a incredulidade abraçando o Evangelho de Jesus Cristo, pois, vive na certeza de que “ainda que esteja morto, viverá!”. Os resultados da fé às vezes não podem ser explicados, mas, todos eles podem ser sentidos. Que Deus tenha misericórdia de todos nós!

quarta-feira, 13 de outubro de 2021

O AMOR JAMAIS ACABA...                    

MAS ARREFECE!



Pr. Raul Marques


A Bíblia nos ensina que “há tempo para todo propósito debaixo do céu” (Ec 3.1). Muitas vezes nos espantamos com a ocasião de certos propósitos, mas afinal, temos que admiti-los, interpretá-los e, finalmente, superá-los. É o caso, por exemplo, do desamor que grassa neste mundo e atinge todas as camadas sociais; todas as famílias e todas as Instituições. A igreja está entre elas.
Quando acompanhado dos seus discípulos, Jesus lhes disse: “E surgirão muitos falsos profetas, e enganarão a muitos. E, por se multiplicar a iniquidade, o amor de muitos esfriará." (Mt 24:9-12). O apóstolo Paulo, por sua vez, ensina-nos assim em I Coríntios 13: “O amor jamais acaba”. Daí então depreendemos que não há nada de errado entre estes ensinos senão, porém, que eles se completam e se explicam: o amor jamais acaba... mas ele esfria... arrefece...
Estamos vivendo os tempos preditos pelo Senhor Jesus em que o amor de muitos esfriaria. Esse vírus é profundamente contagioso e a sua proliferação é alarmante, pior que qualquer doença que o homem tenha conhecimento. Os que estão infectados por ele começam a desenvolver um inquietante desânimo, seguido de uma avassaladora apatia; são tomados por um completo desinteresse por quase tudo aquilo que mais gostavam de fazer; começam a dar sinais quase irreversíveis de indiferença e decepção com a fé, com a vida e com as pessoas.
Quando um amor deixa de ser correspondido, logo começa o processo de esfriamento. E tudo isso ocorre por “se multiplicar a iniqüidade”: esquecemos os grandes amigos; os alvos mais importantes da nossa vida não são mais os que dizem respeito aos valores da fé e da família; torna-se mais importante ter sucesso na vida pessoal que relevância comunitária; a relativização de tudo passa a ser o processo mais imperativo e a felicidade torna-se uma mera utopia valendo a pena tão somente a busca de satisfação e prazer momentâneos, ainda que fugazes.
A nossa humanidade, tão intimamente ligada ao pecado, torna-se cada vez mais receptiva ao desamor e tragicamente seduzida pela indiferença que não nos deixa perceber que somos nós os produtores da violência, da corrupção, da degradação social, da coisificação da família e do descarte de Deus. Embora o amor esteja esfriando a passos tão largos entre nós, resta-nos a esperança de acreditar que o mesmo Espírito que levou Jesus a profetizar este fato, inspirou o apóstolo Paulo a afirmar que o verdadeiro amor jamais vai acabar: havendo profecias, passarão; havendo filosofias, acabarão; havendo denominações, desaparecerão; havendo Instituições, ruirão; havendo hipocrisias, se desfarão; havendo falsos ideais, serão destruídos... Espero que depois de toda essa nevasca que glacialmente nos tem envolvido, venha sobre nós um vulcânico sopro do Espírito, salvando-nos desta geração perversa através de um genuíno avivamento, movendo-nos outra vez na direção de Deus. Que o Senhor tenha misericórdia de todos nós!