POR UMA COMUNIDADE ESPIRITUALMENTE SADIA!
terça-feira, 24 de junho de 2014
domingo, 13 de abril de 2014
SEM MEIAS PALAVRAS...
Pr, Raul Marques
T
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odas
as pessoas da época de Jesus Cristo ficavam maravilhadas com as palavras de
sabedoria que saltavam de sua boca, sobretudo, quando se ajuntavam às multidões
para ouvi-lo sobre temas tão cotidianos, mas tão negligenciados e carentes de
explicações verdadeiras. Ele era muito explícito e sem meias palavras. Nunca
usava subterfúgios ou tintas enganosas para colorir os quadros existenciais ou
sobrenaturais que pintava com maestria e autoridade.
Certa
vez Ele deu o tom mais esclarecedor e mais real que alguém jamais ouvira, sobre
um tema que muitas vezes, sobretudo hoje, no tempo da relativização, é crido
como folclore ou, quando muito, alegoria lacônica: “Virá o senhor
daquele servo num dia em que o não espera, e à hora em que ele não sabe, e
separá-lo-á, e destinará a sua parte com os hipócritas; ali haverá pranto e
ranger de dentes” Mateus 24.50-51.
O
inferno, para a grande maioria hoje, não passa de uma criação hilária e
assombrosa para amedrontar os incautos ou para fidelizar adeptos das religiões,
sobretudo, no cristianismo. Esta ideologia espera desacreditar a Jesus Cristo e
fazer ruir os alicerces da verdadeira fé no Único Deus Todo Poderoso. No
julgamento, Jesus dirá para os incrédulos: “Apartai-vos de mim, malditos, para
o fogo eteno preparado para o diabo e seus anjos” (Mateus 25:41). “Este verso
mostra que o inferno não foi originalmente criado para os seres humanos, mas
para Satanás e seus demônios. Por causa da rejeição da humanidade de Deus,
aqueles que recusam vir a Cristo participarão do destino do diabo. Apocalipse
20:10 elabora ainda mais sobre o destino do diabo: “O Diabo, que os
enganava, foi lançado no lago de fogo e enxofre, onde estão a besta e o falso
profeta; e de dia e de noite serão atormentados pelos séculos dos séculos”.
Visto que os incrédulos compartilharão o destino do diabo, e o diabo sofrerá o
tormento no inferno para sempre, os incrédulos também sofrerão o tormento
eterno. Também observe que Jesus disse que o fogo é eterno, o que não poderia
ser dito se o inferno fosse somente temporário”.
Sem
meias palavras, o inferno é tão real que, para muitos, o fogo já foi ateado e
suas formas, cores e temperaturas podem estar variando conforme a vida que
levam como legiões de escarnecedores do Pai Eterno, Todo Amor, Todo Santo e
Todo Juízo. Que o Senhor tenha misericórdia de todos nós!
sábado, 22 de março de 2014
QUANDO O SILÊNCIO FALA MAIS ALTO
Pr. Raul Marques
“Mas Jesus permaneceu em silêncio. O sumo sacerdote lhe disse: Exijo que você jure pelo Deus vivo: se você é o
Cristo, o Filho de Deus, diga-nos” Mateus 26.63.
Cresci ouvindo este adágio popular: “Quem cala,
consente!”. Não creio que isto seja uma verdade absoluta, pois,
podemos perfeitamente discordar de alguém ou de alguma coisa sem, sequer,
emitirmos qualquer palavra. O silêncio muitas vezes tem o poder de gritar mais
alto! “O SENHOR pelejará por vós, e vós vos calareis” (Êxodo
14:14).
O manifesto do silencio é, muitas vezes, a mais contundente resposta a
indagações carregadas de maldade e de intenções espúrias. Silenciar pode
significar abrir espaço para Deus falar por nós! “Grandes obras não são
feitas com força, mas a perseverança” (Samuel Johnson).
Indagações maldosas ferem; o silêncio, porém, incomoda muito mais às maldades. O
silencio pode ser o nosso maior aliado, dependendo das circunstâncias. Muitas
vezes somos espremidos e quase obrigados a dar respostas que não temos, ou, de
outro modo, a emitir opinião que tão somente colocariam mais fogo no palheiro,
se entendidas distorcidamente. Os poetas e pensadores amam o silencio! Os
profetas e os sábios também expressaram muito com o silencio. Jesus foi O
mestre da palavra e do silencio.
Silenciamos diante de situações duvidosas...
Silenciamos para não magoar... Silenciamos em nome da paz... Silenciamos em
nome do amor! O silencio tanto pode ser a angústia mais profunda dos culpados,
quanto a atitude mais sábia dos inocentes. Pode ser tanto a expressão mais
profunda da lisura, quanto a mais lancinante resposta às arguições infundadas.
Em tudo deve haver prudência.
Quantas vezes precisei engolir à seco? Quantas vezes
senti sapos descerem goela a baixo? Quantas vezes precisei
entender os algozes, no meu silencio? Quantas vezes andei a
segunda milha em absoluto silencio? Quantas vezes tomei a minha
cruz e segui silenciosamente?
Na ordem do cânon bíblico, entre Malaquias e Mateus,
há um lapso de tempo entendido por muitos como o silencio de
Deus. No capítulo 26 de Mateus, versículo 63 está registrado que, diante de
um sacerdote, Jesus preferiu o silencio como resposta à leviandade
impetrada contra Ele. Num momento seguinte, diante de Pôncio Pilatos (Mateus
27.13-14), Jesus preferiu silenciar mais uma vez. Mais tarde, diante de
Deus-Pai, Todo Poderoso, Fiel e Justo Juiz, Jesus expressou a Sua resposta às
acusações do mundo: “Quando Jesus tomou o vinagre, disse: Está consumado. E, inclinando a cabeça, entregou o
espírito” (João 19:30). Pode alguém, de hoje em diante, dormir
em paz com este barulho?
quinta-feira, 20 de março de 2014
FORTALEZA E FRAGILIDADE
Pr. Raul Marques
Gosto muito de ler biografias de pessoas influentes,
que deixaram legados importantes nas mais diversas áreas da vida. Aprendo
muito. Sou um eterno aprendiz; isto me faz reconhecer o meu tamanho,
diversidade e carências. É muito comum, apesar de não achar normal, que muita
gente fique intrigada com o fato de ouvir dizer que o pastor fulano
de tal está de férias... A ideia que se tem de um pastor de férias está diretamente ligada ao ócio, nunca ao descanso, à reposição de
forças, a releitura de si mesmo, a também ouvir, enfim, parece que ele
abandonou a Deus por uns dias... Ninguém indaga se ele está doente ou mesmo se
está precisando que alguém lhe ouça; afinal, ele é pastor e pastor é o mais forte do rebanho... Santa ingenuidade!
Li recentemente numa rede social esta expressão
atribuída a Spurgeon: "Cristãos
temporários não são cristãos. Quem quer tirar férias desse serviço divino
nunca entrou nele". Lembrei-me, então, da sua biografia que atesta
o seguinte: “Por diversas ocasiões Spurgeon teve que se ausentar de seu púlpito por
recomendação médica. Chegou a passar alguns
períodos de férias na Europa, e depois de 1876, muitas vezes, sempre no fim
do ano, se hospedava em Menton, Sul da França, pelo clima mais quente que na
Inglaterra, por recomendação médica. Depois de 1887, foram cada vez mais
constantes essas viagens, chegando a passar meses em retiro”. Caso a
primeira expressão seja verdadeira, onde estaria a coerência deste “grande” conhecedor
das Escrituras e, por conseguinte, do seu ofício pastoral? A sensatez
recomenda-nos reconhecer que ele, afinal, também era de carne e osso, forte e
frágil, santo e pecador. A sua biografia revele que este santo homem
de Deus também sofreu grandes ataques de depressão, decorrentes
das próprias lutas pastorais como, por exemplo, “quando um culto realizado em Surrey Garden foi organizado para cerca de
10.000, e devido a um tumulto provocado por um falso alarme de incêndio, levou
a morte de seis pessoas” (Biografia
de Carlos H. Spurgeon, por Alfredo S. Rodríguez y García, Cuba, 1930). “John Piper nos ajuda a entender um pouco da
jornada e do desgaste pastoral: A maioria dos nossos irmãos não faz ideia do
preço que se paga por duas ou três mensagens semanais em termos de exaustão
espiritual e intelectual. Sem contar o esgotamento causado pelos sofrimentos
familiares, as decisões da igreja, os dilemas morais e teológicos
imponderáveis. Eu, por exemplo, não sou um poço artesiano, Meu cântaro se
esvazia mesmo quando dele nada se verte. Meus ânimos não se revigoram na
correria. A carência de tempo para a leitura tranquila e reflexão, além da
urgência do preparo do sermão, reprime minha alma e, logo, o espectro da morte
espiritual se manifesta. Poucas coisas me assustam mais que o início da
esterilidade proveniente das responsabilidades desmedidas que mal permitem a
nutrição espiritual e a meditação. (Piper, Irmãos, nós não somos profissionais,
p. 81-2)”. Já que começamos citando
uma possível expressão de Spurgeon, que tal concluirmos com uma importante
lição dele relativa ao cuidado com a vida e os limites das ações pastorais? Assim nos ensina ele: “Se um
homem for de natureza alegre como um pássaro, dificilmente poderá manter-se
assim ano após ano contra esse processo suicida. Fará do seu escritório uma
prisão e de seus livros carcereiros de um presídio, enquanto do lado de fora da
sua janela a natureza acena-lhe com a vida saudável e chama-o para a alegria.
Aquele que esquece o zumbir das abelhas na urze, o arrulho dos pombos selvagens
na floresta, o canto dos pássaros no arvoredo, o ondular do regato por entre o
junco, e os lamentos do vento entre os pinheiros, não tem por que se espantar
caso o seu coração olvide cantar e sua alma fique pesarosa. Passar um dia
respirando o ar fresco das montanhas, ou fazer uma excursão de algumas horas na
umbrosa tranquilidade das copadas faias, servirá para varrer as teias de aranha
das cabeças cheias de vincos dos nossos fatigados ministros que já andam meio
mortos. Uma tragada de ar marinho, ou uma firme caminhada contra o vento, não
dará graça à alma, que é o que há de melhor, mas dará oxigênio ao corpo, coisa
que vem em segundo lugar” (Spurgeon,
Lições aos meus alunos 2, p. 239-240).
Em Marcos 6.30-32, Jesus Cristo nos deixa uma lição
tremendamente importante sobre o tema aqui enfocado: “Os apóstolos voltaram
e, reunindo-se com Jesus, contaram-lhe tudo quanto tinham feito e ensinado. Havia
tanta gente indo e vindo que Jesus e
seus apóstolos não tinham tempo sequer para comer. Então Jesus lhes
disse: — Venham comigo. Vamos
sozinhos encontrar um lugar tranquilo para descansar um pouco. E eles
partiram de barco, sozinhos, para um lugar sossegado”. Ah, como
é bom e humano admitirmos a nossa força e fraqueza!
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