sábado, 2 de outubro de 2010

AGORA EU SEI...


Pr. Raul Marques


Eu vivi a vida me alimentando da música, da poesia, e das artes em geral. Os meus amigos na adolescência e juventude tinham a mesma avidez pelas expressões artísticas e, por isto mesmo, até hoje não me canso de aprender a cada dia com as mais diversas manifestações culturais: repente, cordel, folclore, música erudita ou popular, pintura, escultura, cinema, teatro, enfim, tudo o que faça emergir novas idéias, novos talentos, e seja capaz de conspirar para novas criações. Muitas vezes imaginamos que quanto mais difícil for a interpretação de uma obra, tanto mais rica e mais elaborada terá sido a sua mensagem. Certamente que não é bem assim. Nem sempre o mais sofisticado é o melhor; nem sempre o mais requintado tem o melhor conteúdo. Como as artes, assim são também as pessoas; muitas vezes as mais simples e com menos aparência, são as mais ricas e profundas ao transmitirem as suas mensagens. Apesar de saber que dá muito trabalho interpretar pessoas, não posso negar que sou profundamente fascinado pelo universo da compreensão dos sentimentos humanos.

Lembrei-me agora de uma canção de Roberto Carlos, que de tão singela e tão ingênua, estampa-nos uma mensagem ao mesmo tempo tão rica e adulta que é capaz de nos remeter a uma reflexão indispensável: “Mas, agora eu sei o que aconteceu: quem sabe menos das coisas, sabe muito mais que eu!”. Temos a falsa impressão de que o nosso academicismo nos eleva a patamares tão altos que nos esquecemos de pensar as coisas mais simples, as pessoas mais humildes, de freqüentar os lugares mais toscos, de ler os livros menos lidos, ouvir as canções menos recomendadas, etc. Quando, no entanto, passamos a conviver com as coisas e as pessoas do mundo mais real, temos a grata surpresa de entender que somos aprendizes agora como sempre fomos. Nenhum saber é por si mesmo tão importante que não sejamos capazes de reconhecer que precisamos aprender sempre mais. Aprender, não para sobrepujar, mas, para compartilhar. Aprender para compreender que todos têm algo a ensinar e muito a aprender.

Agora eu sei porque Jesus Cristo, com tanta sabedoria, tanto poder, tanta eloqüência e tanta visibilidade, vivia fascinado pelas multidões de pessoas mais simples, carentes, porém, mais verdadeiras. Agora eu sei a profundidade da riqueza dos seus ensinos articulados através do Sermão do Monte. Obrigado, Senhor, por me fazer entender tudo isto, pois, “agora eu sei: quem sabe menos das coisas, sabe muito mais que eu”.

CICATRIZES...


Pr. Raul Marques

Toda maldade produz cicatrizes. Toda ferida pode, com o tempo, cicatrizar. Todas as marcas deixadas, porém, são partes da história de cada um e muito dificilmente não nos trarão a lume os seus significados. Não podemos dizer que nunca deixaremos de lembrar a intensidade da dor que produziram aquelas marcas. Lembraremos sim, pois elas estão ali, na pele, tatuadas e prontas a responder com o silêncio a profundidade e o significado da sua existência. Entretanto, são elas também que sinalizam pra nós, que são cicatrizes presentes de uma dor passada...

O intenso sofrimento de Jesus Cristo marcou o seu corpo e a sua alma tão profundamente que não seria razoável supor que não houvessem deixado sinais. É claro que Jesus perdoou os seus algozes; Ele se expressou a respeito disso em meio ao seu desvairado sofrimento: “Pai, perdoa-lhes, pois eles não sabem o que fazem” Lucas 23.34; no entanto, tivesse Jesus permanecido entre nós vivenciando por muitos anos a crueldade do nosso coração, certamente que todos veriam as suas cicatrizes expostas apontando para um martírio vivido. Um grande exemplo disto está estampado no diálogo que Jesus teve com Tomé. As marcas em Jesus ao serem tocadas por Tomé tiveram o poder de transmitir-lhe verdade, perdão e muito amor.

As cicatrizes podem ser ao mesmo tempo a prova do sofrimento e a marca da necessidade do perdão. Se olharmos para as nossas cicatrizes com sofrimento e ódio, certamente estaremos alimentando a sangria em feridas que teimarão em não sarar. Por outro lado, se fitamos as nossas marcas como sinais da possibilidade do perdão e da felicidade anelada, não podemos negar a óbvia presença do Espírito Santo de Deus em nossas vidas, ajudando-nos a entender que “todas as coisas concorrem para o bem daqueles que amam a Deus; daqueles que são chamados segundo o seu propósito” (Rm 8.28).

Todos nós temos algumas cicatrizes. Importa-nos saber o que fazemos delas; com que motivação elas se evidenciam em nós. O que será que elas tendem a nos lembrar? É bom não esquecermos a recomendação bíblica: “a boca fala do que está cheio o coração” (Lc 6.45).

sexta-feira, 1 de outubro de 2010

ALMAS DESNUTRIDAS


Pr. Raul Marques

O comportamento dos homens na sociedade moderna tem produzido ao mesmo tempo: avanço tecnológico, acúmulo de riquezas concentradas e pessoas doentes da alma e do coração. A idéia de um mundo globalizado e capitalista tem avançado a passos tão largos que não se vislumbra uma nova direção para as nações da terra que não passe necessariamente por guerras cada vez mais renhidas e odiosas. Parece não haver mais espaço para os simples, para os fracos, para os pobres, para as minorias e, sobretudo, para manifestações que advenham da fé; não de uma fé manipulada e utilitária, mas, de uma atitude de confiança plena no único poder superlativo: o de Deus, Criador e Mantenedor da vida, causa e conseqüência de tudo o que existe.

O caos social nas cidades tem sido a radiografia mais eloqüente nos noticiários. A violência tem sido a novela cotidiana das nossas famílias. As escolas têm se tornado a praça onde se distribuem drogas e camisinhas para uma juventude que não sabe pensar e nem agir, visto que adora ídolos cujas almas estão desnutridas, e, portanto, vivem a anorexia interior e o vazio doentio. As doenças proliferam e o mal parece vencer o bem... Há muitas vidas que não esboçam mais nenhuma reação aos fracassos diários; se tornaram incapazes de tomar o timão do navio de suas vidas, e, deixando-o à deriva, apenas assistem o seu naufrágio. Há muitas vidas que ancoraram no mar da solidão e do auto desprezo, e não acreditam mais que novos ventos possam abanar as suas Velas e levá-las por mares nunca dantes navegados.

Aquilo que o mundo mais despreza é, sem dúvida, aquilo de que ele mais necessita: Deus. Foi Ele mesmo que “amou o mundo de tal maneira, que deu o filho unigênito, para que todo o que nele crê, não pereça, mas tenha a vida eterna” João 3.16. Foi exatamente este Filho que afirmou: Eu sou o pão da vida, o que vem a Mim, jamais terá fome; e o que crê em mim jamais terá sede.” João 6:35. A desnutrição da alma humana só tem cura quando alimentada por este pão incontaminado; só saciará a sua sede de vida quando provar desta água vinda de fontes sobrenaturais.

As nossas famílias têm recebido os ataques mais violentos de que se tem notícia. Delas tem sido roubado o tempo de dialogar com Deus. Delas tem sido subtraído o prazer da comunhão. Delas tem sido aniquilada a esperança, restando-lhes a aridez dos desertos da convivência e a presença nefasta dos prazeres fugazes e da carência de afetos verdadeiros, produzindo a mais completa desnutrição da alma e a miséria nos corações em escombros.

segunda-feira, 27 de setembro de 2010

PR. RAUL REPRESENTARÁ A PARAÍBA EM GOIÁS

Defendendo a música "Haiti" (A tragédia humana), o Pr. Raul recebeu três prêmios na eliminatória que ocorreu no último Sábado, dia 25, na sede da APCEF/PB, em João Pessoa: 1º Lugar com a Melhor Música, Melhor Arranjo e Melhor Intérprete. Pr. Raul esteve ao lado do seu filho, Khallil Gibran, que também tocou bateria. Além de sua família, estiveram presentes vários irmãos, amigos e colegas da CAIXA, que o incentivaram e o aplaudiram. Em Dezembro, a canção HAITI irá disputar o FESTIVAL NACIONAL, competindo com os demais Estados brasileiros, em Goiás.

sábado, 4 de setembro de 2010

UM MONSTRO DESTRUIDOR...



Pr. Raul Marques


A expressão “mundo moderno” tem um peso distinto hoje, não obstante o seu conceito implícito em todas as épocas da vida humana na terra. Quando o homem caiu e fugiu da presença de Deus, os dias que se seguiram foram sempre angustiantes, e cada época trazia consigo a sensação de que a anterior teria sido mais amena. Por isso mesmo é que ouvimos tanto hoje as pessoas afirmarem: “Ah! Tempos bons aqueles que passaram... A gente era feliz e não sabia...”. A ilusão é estampada porque só conseguimos mensurar com exatidão as dores presentes; aquelas que foram sofridas anteriormente já foram suplantadas, embora nunca sejam esquecidas. São as marcas das experiências vividas.
Pois bem, ouvimos repetidas vezes as pessoas culpando “a vida moderna”, “o tempo presente” ou “o mundo contemporâneo”, como o grande causador das mazelas da alma e dos sofrimentos que principiam no recôndito do nosso ser.
Jesus Cristo deixou explicada toda essa situação ao ensinar-nos: “o que contamina o homem não é o que entra na boca, mas, o que sai da boca, isso é o que contamina o homem. O que sai da boca procede do coração; porque do coração procedem aos maus pensamentos, mortes, adultérios, prostituição, furtos, falsos testemunhos e blasfêmias...”. Mt 15.17-19.
Desde que o homem desertou de Deus ele sofre as doenças da alma: melancolia, tristeza, solidão, angústia, e agora, tudo isso junto se reveste como marca dos “tempos modernos”, com o nome de Depressão. Lamentavelmente este monstro destruidor está mostrando sua face, unhas e dentes com mais ímpeto e voracidade nesta era em que estamos completamente massificados pela distorção da fé e pela miopia espiritual.
A Campanha de Missões 2010, da Junta de Missões Nacionais, da Convenção Batista Brasileira, trouxe à baila um tema relevante e inadiável, revelado no desejo de fazer a pátria brasileira voltar os olhos para Cristo: “Por um Brasil verdadeiramente feliz”. Na fundamentação da Campanha 2010 descreve-se o seguinte: “A depressão, vazio da alma e outras definições são sensações que afetam todas as idades e classes sociais. A sociedade pós-moderna, mergulhada em sua melancolia, vê-se refém da indisposição, inclusive, para hábitos antes prazerosos. Essa frieza pela vida tem suas conseqüências. Parte delas são estampadas nas páginas de jornais e revistas, mas o que se prevê para as próximas décadas são efeitos cada vez mais alarmantes da falta de perspectiva de vida.
Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), em estudo encomendado pela Federação Mundial para a Saúde Mental, estima-se que 121 milhões de pessoas (mais que a população do México, em termos comparativos) sofram com a depressão em todo o mundo. No Brasil, são 17 milhões que enfrentam a doença, nem sempre fácil de ser diagnosticada. Ainda segundo a OMS, 75% dos entrevistados no País nunca receberam um tratamento adequado.
A depressão não diagnosticada e, portanto, não tratada, abarca o suicídio. Pelo menos é o que afirmam especialistas: 70% dos suicídios ocorrem em decorrência de uma fase depressiva. Nos últimos anos, a taxa das pessoas que tiraram a própria vida aumentou 56,9%, sendo aproximadamente 2 mil o número de jovens que tentaram suicídio. Outras mazelas sociais, como o uso de drogas, seguem a lógica da infelicidade. Não são poucos os casos de pessoas que buscam satisfação nos entorpecentes. O Ministério da Saúde estima que existam hoje 600 mil usuários de crack e tenta, em medida desesperada, dobrar o número de leitos dos hospitais gerais a fim de receber dependentes químicos. A medida faz parte do Plano Integrado de Enfrentamento ao Crack e Outras Drogas, lançado em maio desse ano.
Os fatos revelam que o Brasil precisa encontrar a felicidade, mas sabemos que só há um caminho. Esse norte, que levará a Pátria aos mananciais de águas tranqüilas, precisa ser apresentado com urgência a fim de que cânticos de júbilos surjam nos lábios de nosso povo. POR UM BRASIL VERDADEIRAMENTE FELIZ é mais que um tema de campanha. A frase lança um olhar sincero aos brasileiros e constata o clima de tensão em cada homem, mulher e criança. Ela também é o complemento de uma ação (faço isso por aquilo) e por isso não se sustenta sozinha. Não se sustentará sem antes nos engajarmos na missão, gerando atitudes que resultem em libertação, restauração e a chegada do ano aceitável do Senhor. Esse é o nosso desafio. Você estará conosco?”.
As pessoas precisam de tratamento; elas estão doentes, mas, uma coisa precisa ficar muito clara: não pode haver maior remédio que o amor de Deus; por isso mesmo Ele nos enviou Jesus, que afirmou: "O Espírito do Senhor está sobre mim, pelo que me ungiu para evangelizar os pobres; enviou-me para proclamar libertação aos cativos e restauração da vista aos cegos, para pôr em liberdade os oprimidos, e apregoar o ano aceitável do Senhor." Lucas 4.18,19.